Qual é a diferença entre exorcismo e oração de libertação?

“O grande truque do diabo é fazer-nos pensar que ele não existe”.Estas não são as palavras de um teólogo, nem mesmo de um santo: foram escritaspelo poeta francês Charles Baudelaire. A presença silenciosa, mas ativa de Satanás é como um câncer não detectado que, de uma forma desonesta e não percebida, corrompe um corpo e se instala em tantos órgãos quanto possível através de uma metástase letal.
Pe. Paolo Morocutti sabe muito bem disso. Ele é um exorcista da Diocese de Palestrina, uma das dioceses periféricas de Roma. Também é membro da AIE (Associação Internacional de Exorcistas, abreviado de seu nome em italiano) e professor de vários cursos para exorcistas.
Muitas pessoas gostariam de conhecer um exorcista para que pudessem aprender mais sobre o diabo. Aqui está um pouco do que aprendemos quando conversamos com o Pe. Marocutti.
Alguns teólogos são da opinião de que os exorcismos bíblicos – incluindo aqueles realizados por Jesus – foram simplesmente curas de doenças que, naquela época, eram consideradas influências espirituais. O que o senhor pensa sobre esse assunto?
Na verdade, essa questão foi resolvida há muito tempo. Acima de tudo, é uma questão de honestidade intelectual. A exegese bíblica cuidadosa e a teologia séria reconhecem claramente a diferença entre a forma como Cristo lida com pessoas doentes e a maneira como ele trata as pessoas possuídas nos Evangelhos. Ele usa duas abordagens totalmente diferentes.
O Catecismo da Igreja Católica contém um ensinamento claro sobre este assunto, e nenhum bom católico pode deixá-lo de lado. Finalmente, gostaria de me referir aos ensinamentos dos santos, que, com a vida de união com Cristo que viveram dentro da Igreja, confirmaram o Magistério de forma clara e inequivocamente.
Algumas pessoas defendem a extinção do ministério dos exorcistas, porque consideram que é uma usurpação do trabalho dos psicólogos. Como o senhor enxerga isso?
Eu leciono Psicologia Geral (na Faculdade de Medicina) e Cirurgia (na Universidade Católica do Sagrado Coração), e entendo bem a diferença entre as duas disciplinas. De acordo com a antropologia cristã, os seres humanos são sempre e em todos os lugares entendidos a partir de uma perspectiva integral e unida. As duas disciplinas não estão, de fato, em competição. Em vez disso, elas estão intimamente conectadas. Uma pessoa espiritualmente perturbada quase sempre precisa de apoio humano qualificado para interpretar a situação e avançar pacificamente. Quando o espírito é afetado, a carne também é afetada e vice-versa. O problema surge quando a Psicologia, especialmente a Psicoterapia, constrói suas convicções sobre conceitos antropológicos improváveis ou sobre os que estão longe do humanismo cristão.  Nesse caso, podem surgir dicotomias perigosas – ou, pelo menos, inconvenientes.
Quais os critérios usados para diferenciar casos psicológicos dos espirituais?
A sabedoria da Igreja, desenvolvida ao longo de milhares de anos através da formação de livros litúrgicos – que, entre outras coisas, faz parte do magistério oficial para nós católicos – estabelece um procedimento através do qual um sacerdote exorcista pode reconhecer o trabalho e a presença do diabo. Penso que é útil mencionar que, na última versão do rito, o exorcista é convidado a utilizar a ciência médica e psicológica para discernir melhor. Além disso, o rito indica como critério para reconhecera presença do maligno: falar línguas desconhecidas, saber ou revelar coisas escondidas e demonstrar força desproporcional à idade e ao estado natural do sujeito. Esses não são critérios absolutos; são sinais que, se identificados dentro de um quadro geral com atenção aos detalhes, podem ajudar muito um exorcista. É necessário dedicar muito tempo a ouvir a pessoa e fazer uma análise atenta do comportamento e hábitos de vida do sujeito. É importante concentrar-se mais na sua vida moral do que nos sinais, embora este último possa ser sempre uma grande ajuda.
Quais são os principais canais através dos quais a obsessão demoníaca ou a possessão podem surgir?
O canal principal é, definitivamente, o pecado – em particular, um estado de pecado grave, vivido deliberadamente e sem arrependimento. Essa condição geralmente expõe a alma à ação do diabo.
Além disso, os principais canais de ação de Satanás são: o esoterismo, a feitiçaria, o seguimento mais ou menos consciente de práticas filosóficas inspiradas nas religiões orientais ou, de alguma forma, incompatíveis com uma visão antropológica cristã e, finalmente, participação em grupos abertamente satânicos.
Frequentemente, essas realidades estão escondidas por ideologias aparentemente inócuas. Devemos ser cautelosos. Satanás nos seduz com falsa beleza, fazendo com que as coisas contrárias a Deus pareçam boas e inofensivas.
Ainda assim, no centro do processo de discernimento está sempre a ação moral de uma pessoa. Se uma pessoa age com retidão moral e permanece em estado de graça, buscando a verdade, é improvável que ele ou ela seja objeto de ação extraordinária do maligno. Obviamente, a vida de certos santos é uma exceção. Em alguns casos, devido à permissão especial de Deus, eles até experimentaram o combate com o diabo de maneira sangrenta.
O que o senhor aprendeu de positivo ao exercer este ministério que poderia deixar como lição e conselhos para nossos leitores?
Que o amor de Jesus Cristo por nossas almas é algo sério e que a alma deve ser protegida em um estado de graça, como o presente mais belo e sublime que Deus nos deu. Hoje, a sensação de pecado está desaparecendo cada vez mais, devido a uma compreensão profundamente equivocada da misericórdia. Neste ministério, entendi claramente que a Eucaristia, o sacramento da Confissão e o nosso amor por Maria Santíssima são os meios mais confiáveis para caminharmos sempre na graça e na verdade – e para sempre podermos apreciar a doce presença de Jesus em nossas almas.
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Será que a psicanálise consegue sempre dar explicações aos casos de alegada possessão diabólica? Ou haverá casos em que a ciência não consegue oferecer um diagnóstico definitivo para supostas pessoas “possuídas”?
O autor Raul Salvucci, no livro “Cosa fare con questi diavoli” (“O que fazer com esses demônios”, ainda sem tradução ao português), menciona dores físicas sentidas por pessoas que sofreram malefícios e que não puderam ser explicadas pela medicina:
“Os efeitos negativos para a saúde são habituais quando ocorre um malefício. Há modalidades diversas; nem sempre estão todas presentes, nem têm sempre a mesma intensidade. Variam de pessoa para pessoa, dependendo da compleição física, e descarregam a maior negatividade sobre os pontos mais frágeis”.
O professor Luigi Janiri, das Universidades Lumsa, de Roma, e Católica, de Milão, é psiquiatra e psicoterapeuta, estudou de perto esses fenômenos:
“Os fenômenos escassamente explicados pela psiquiatria e que se verificam nos casos de possessão considerados demoníacos estão numa espécie de faixa de transição entre as condições francamente psicopatológicas (especialmente a histeria e os transtornos dissociativos) as de possessão propriamente dita. No caso dessas últimas, também deveriam ser diferenciadas as situações em que o ente maléfico age de fora do sujeito, causando vexações ou infestações ambientais”.
 
Sete sinais
Os fenômenos que, segundo Janiri, são reconhecíveis como “paranormais” ou pelo menos “extraordinários” e interpretáveis como “presença” de uma entidade estranha no corpo de um indivíduo (geralmente demoníaca) são os seguintes:
1) Alterações somáticas: mudanças da cor dos olhos, surgimento de estigmas ou outras “inscrições” cutâneas, marcas de fogo, hemorragias inexplicáveis, mudanças bruscas no tom e no timbre da voz etc;
2) Titanismo: força incompatível com o físico da pessoa ou que a leva a executar façanhas como levantar pesos desproporcionais, arremessar grandes móveis ou lançar objetos muito pesados;
3) Levitação: alçar-se do solo sem apoio;
4) Falar em línguas desconhecidas pela pessoa; com frequência, além do mais, são línguas mortas ou arcaicas;
5) Ler pensamentos alheios: demonstrar saber o que o interlocutor está pensando ou sentindo no momento;
6) “Vomitar” objetos que a pessoa não pode ter introduzido em si mesma, como pregos ou pétalas de flores; neste mesmo conceito, acrescentam-se ainda fenômenos como o surgimento “prodigioso” de objetos do nada ou a transformação de objetos em outros diferentes;
7) Hipersensibilidade aos símbolos sagrados: é frequente que fenômenos como os mencionados acima ocorram espontaneamente durante a missa, em particular durante momentos muito significativos, como a bênção; ou na presença de padres, mesmo que não sejam exorcistas; ou durante a realização de exorcismos.
Dos estigmas às línguas estranhas
Ainda segundo Janiri, alguns desses fenômenos estão no limite entre as condições explicáveis pela medicina e as que são inexplicáveis cientificamente, e, por isso mesmo, atribuíveis a causas sobrenaturais: servem como exemplo as mudanças de voz e algumas manifestações cutâneas, como sangramentos e estigmas, que podem ocorrer em estados de alteração psicossomática (certos tipos de histeria); ou o falar em línguas aparentemente ignoradas, o que pode ter a ver com conhecimentos pré-existentes dos quais a pessoa guarda algum resquício mais ou menos inconscientemente; ou a leitura da mente, que pode ocorrer em relações interpessoais caracterizadas por altos níveis de sugestionabilidade.
Casos inexplicáveis
Pessoalmente”, diz o psiquiatra, “eu testemunhei alguns fenômenos” – e ele os elenca:
  • alterações de voz, em meninas que de repente começaram a falar com voz de homem;
  • sangramentos indeterminados;
  • pessoas franzinas que chegaram a arremessar pesados bancos de igreja;
  • pessoas entrevistadas, no México, dizendo frases em uma língua desconhecida, que depois foi identificada como um dialeto pré-colombiano;
  • pessoas que “captaram” o que o examinador estava pensando ou sentindo no momento.
Conforme já dito acima, porém, tais fenômenos não são necessariamente atribuíveis a uma possessão diabólica, pois têm margem de interpretabilidade psicopatológica.
Alterações bem mais difíceis de explicar
Outras alterações somáticas, conta ainda Janiri, “me foram relatadas por sacerdotes particularmente confiáveis: a mudança súbita na cor dos olhos durante um exorcismo e o aparecimento de uma figura e algumas letras na pele das costas de uma pessoa possuída”.
Aleteia
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Entrevista com o Padre Gabriele Amorth, por Stefano Stimamiglio
Padre Gabriele, uma pessoa pode ser libertada sem saber, ou seja, através da oração dos outros?
É possível que a oração de uma comunidade cristã, dos familiares ou amigos prepare o caminho para a plena cura. Mas por experiência, digo que a libertação não acontece contra a vontade da própria pessoa. Sem a contribuição ativa da pessoa, feita de uma intensa vida de fé sustentada pelos sacramentos e pela oração, a libertação não acontece. O risco que vejo no caso de possessão ou outro mal é o de permanecer sozinho, isolado, sem apoio. Ter uma comunidade paroquial, uma comunidade da Renovação Carismática, de um outro movimento, ou amigos que rezam para a sua libertação é verdadeiramente uma graça da qual deve-se glorificar a Deus.
Se uma pessoa não quer ser exorcizada, ou receber uma oração, devemos deixá-la?
Não se pode obrigar alguém a receber um exorcismo, ou uma oração de libertação contra a sua vontade. Frequentemente é o espírito maligno que manipula, algumas vezes de forma invencível, uma pessoa a não querer receber a oração. Após a oração, ou o exorcismo, muitas vezes acontece que a pessoa parece quase “mais consciente”, novamente capaz de possuir suas próprias faculdades voluntárias. É a confirmação que a oração fez efeito, que porém pode ser apenas temporário.
Em qual sentido?
No sentido que a libertação definitiva não aconteceu ainda e que, a qualquer momento, a pessoa pode recair no seu estado apático e negativo. Mas este “momento de consciência” é um bom sinal, o caminho já foi traçado e é preciso somente percorrê-lo.
Existem também pessoas que possam descobrir o mal que aconteceu a elas frequentando um lugar santo?
Acontece sobretudo quando se vai a santuários marianos, onde não é raro realizar libertações, ou quando participa-se de um retiro, procissões ou adorações eucarísticas. Talvez tenha-se vivido um passado um pouco conturbado e, naquela ocasião, o fato se manifesta de maneira mais clara e evidente. É o sinal de que o demônio permaneceu escondido até quando pode, mas diante da potência de Deus precisou se manifestar. Este fato, contrariamente ao que se pode pensar, é um momento de graça, porque somente conhecendo a doença é possível curá-la.
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O Arcebispo de Módena-Nonantola (Itália), Dom Erio Castellucci, viu ao longo da sua vida pessoas possuídas e endemoniadas, mas nunca havia presenciado um exorcismo até que um dos dois sacerdotes exorcistas da sua arquidiocese o chamou porque tinha “um caso difícil”.
Dom Castellucci contou a sua experiência ao jornal ‘Il Resto del Carlino’, ao qual comentou que depois de presenciar o exorcismo, “ao ver a reação” da pessoa endemoniada, entendeu a urgência do caso.
O Prelado recebeu a visita do exorcista que o convidou a presenciá-lo. “Vem – disse-me – porque este homem está possuído há muito tempo, me procura uma vez por semana, e a sua presença, como bispo, pode influenciar”.
No dia 3 de julho de 2015, Dom Castellucci se dirigiu a uma paróquia em Módena onde são realizados os exorcismos. Ali estavam o exorcista e o endemoniado, um homem de 50 anos. No momento em que o arcebispo entrou, o endemoniado “começou a gritar ‘fora, fora daqui, morrerá mal’” e “depois caiu em transe”.
“Em seguida, parece que havia despertado e em um instante cravou as suas unhas no dorso das minhas mãos. Seu olhar era diabólico e as ofensas e maldições que dizia eram irrepetíveis”, narrou o Prelado.
O endemoniado também “me disse que eu morreria em um acidente de trânsito e enquanto me dizia parecia satisfeito”.
Sobre isso, Dom Castellucci manifestou: “a minha vida está nas mãos do Senhor Jesus e não naquele diabo. Não estou preocupado com nada. A palavra de Deus ensina que as maldições são ineficazes. O diabo continua amaldiçoando, eu faço o meu trabalho”.
Depois desta experiência, o Arcebispo de Módena-Nonantola, assinalou que não “exclui” a possibilidade de participar de outros exorcismos.
“Os próprios exorcistas italianos lamentam ser poucos. O Evangelho de Marco diz: ‘Em meu nome expulsaram demônios’”.
Deste modo, o Prelado ressaltou que “é importante que um cristão saiba discernir, porque muitos casos são de mais competência de um psiquiatra do que de um exorcista. Por isso também são muito importantes as orações de libertação”.
“Deve-se estabelecer, através do discernimento se a pessoa somente está perturbada ou se está possuída. Há uma diferença em efeito: se estiver possuída é necessário procurar o exorcista, se apenas estiver perturbada as orações de libertação ajudarão a curá-la mais rapidamente”, explicou.
Ante a crença atual de algumas pessoas de que o demônio é uma “invenção medieval”, Dom Castellucci indicou que “se equivocam. É necessário presenciar um exorcismo para entender que o mal é uma entidade específica que vai além da realidade”.
ACI

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São Paulo nos encoraja a combater contra as “forças das trevas” que habitam nos ares e que detêm poder sobre os homens. Estes obedecem ao príncipe deste mundo, que causa o obscurecimento da Verdade e a difusão do erro, e que somente uma fé incondicional no Senhor, Deus dos Exércitos, é capaz de anular.
Quando São Paulo chegou a Pozzuoli de Malta, exausto por uma nova viagem cheia de aventuras, ele foi convidado a parar por uma semana naquele que, antes de Ostia, foi o porto de Roma. A poucos passos do mar, encontrou-se diante de um templo dedicado a Serapide, divindade solar de matriz grega, mas de origem egípcia. Como em Atenas, ele sentiu um “estremecimento em seu espírito”, também ao ver esta cidade entregue aos ídolos (cfr At. 17: 16). No entanto, apesar de debilitado pela extenuante atividade apostólica descrita no último capítulo de Atos, Paulo não perdeu o ânimo e logo retomou a sua marcha para Roma, para continuar a pregar contra a falsa religião dos pagãos, especialmente aquela que era dirigida ao ídolo solar, que ele conhecia muito bem, já que tinha vindo da Cilícia, a terra de Mitra.Entretanto, havia aprendido a conhecer bem as perseguições que sofrem aqueles que se levantavam contra as superstições pagãs arraigadas. Em Éfeso, eles haviam se levantado contra os ourives construtores das estátuas de Artemis-Diana, padroeira das prostitutas, e assim provocavam uma baixa nos negócios porque seus deuses sucumbiam inexoravelmente diante da pregação e consequente disseminação da doutrina cristã, a qual não deixava espaço para alternativas ou estranhos meios-termos, e que quase sempre exigia a escolha fatídica: ou com Cristo ou contra Cristo. Na verdade, muitos Efésios confessavam publicamente o seu recurso a práticas mágicas e espontaneamente ateavam fogo a todos os livros de magia negra em sua posse, cujo valor total chegava a cinquenta mil moedas de prata (cfr. At 19).  Uma soma substancial. Em Attica, uma drama de prata correspondia ao salário diário de um trabalhador em geral. Assim, cinquenta mil dias de trabalho. Mais do que uma década de um trabalhador.
“O Anjo de Luz”
Paulo, como todos os demais apóstolos, sustentava com clareza e sem muita distinção, a oposição irreconciliável entre o culto dirigido a Cristo e aquele dedicado aos demônios. Quem não adora a Cristo, adora ídolos: “As coisas que os pagãos sacrificam, sacrificam-nas a demônios e não a Deus. E eu não quero que tenhais comunhão com os demônios. Não podeis beber ao mesmo tempo o cálice do Senhor e o cálice dos demônios. Não podeis participar ao mesmo tempo da mesa do Senhor e da mesa dos demônios”. (1 Cor 10, 19 -22). Em outra parte, ele acrescenta: “Que união pode haver entre a justiça e a iniqüidade? Ou que comunidade entre a luz e as trevas? Que compatibilidade pode haver entre Cristo e Belial? Ou que acordo entre o fiel e o infiel? Como conciliar o templo de Deus e os ídolos? Porque somos o templo de Deus vivo, como o próprio Deus disse: Eu habitarei e andarei entre eles, e serei o seu Deus e eles serão o meu povo” (2 Cor 6: 13-16).
A propósito da sua vontade de viajar para Tessalonica, onde o aguardavam novas comunidades cristãs, Paulo experimentou de modo evidente a ação contrária do Maligno, que fez de tudo para impedir aquela viagem apostólica: “Pelo que fizemos o possível por ir visitar-vos, ao menos eu, Paulo, em diversas ocasiões. Mas Satanás nos impediu” (1 Tessalonicenses 2, 18). Também sobre este tema, São Paulo evita qualquer digressão. Não é um doutor, mas um apóstolo. Se fala, é para alertar seus discípulos sobre o verdadeiro poder de sedução do Maligno, que ele conhece bem. Mas que, por outro lado, também conhece muito bem o Apóstolo: “Alguns judeus exorcistas que percorriam vários lugares inventaram invocar o nome do Senhor Jesus sobre os que se achavam possessos dos espíritos malignos, com as palavras: Esconjuro-vos por Jesus, a quem Paulo prega. Assim procediam os sete filhos de um judeu chamado Cevas, sumo sacerdote. Mas o espírito maligno replicou-lhes: Conheço Jesus e sei quem é Paulo. Mas vós, quem sois? Nisto o homem possuído do espírito maligno, saltando sobre eles, apoderou-se de dois deles e subjugou-os de tal maneira, que tiveram que fugir daquela casa feridos e com as roupas estraçalhadas. (Atos 19, 13).
O Maligno, porque é fortemente enganador, é tão ardiloso a ponto de dissimular sua própria natureza, assumindo a aparência da divindade que ele busca ofuscar. Para enganar os homens e levá-los ao erro e ao pecado: “Não quero que sejamos vencidos por Satanás, pois não ignoramos as suas maquinações… o que não é de espantar. Pois, se o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz” (2 Cor 2, 11 e 11, 14).
Os dominadores do mundo
Paulo indica com extrema eficácia o perigo derivado das falsas doutrinas, ainda que o faça de modo formalmente diferente do seu Divino Mestre, que era capaz de fascinar multidões apenas com o uso de parábolas eficazes, evocativas e sintéticas. Em suas cartas, o Apóstolo geralmente não utiliza uma linguagem atraente, poética, alusiva como a dos Evangelhos. Ele nem sequer evoca imagens proféticas, tremendos “segredos” a serem revelados, com significados fechados à interpretação, como foi capaz de fazer o Apóstolo João, no livro misterioso do Apocalipse.
O estilo de Paulo, à parte os saltos extraordinários Cristológicos, não é imediato. Mas demissivo, discursivo, não sugestivo. Às vezes, aparentemente contorcido, senão “monótono”. No entanto, nenhum entre os apóstolos é mais próximo de Cristo do que Paulo. Nenhum se identifica de tal maneira com Cristo, a ponto de dizer: “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim.” Ninguém identificou tanto suas ações com a paixão e a cruz do Senhor: “Estou crucificado com Cristo, e já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. Esta vida na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gl 2, 20). E mais tarde, antes de concluir abruptamente a carta aos Gálatas, “! Ó insensatos gálatas, quem vos fascinou a vós” (3,1), ele disse: “Eu levo as marcas de Jesus no meu corpo” (6, 17).
No entanto, São Paulo, assim partícipe da cruz e da glória de Cristo, apontou quais são os verdadeiros inimigos contra os quais devemos combater, “porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados, contra as potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra os espíritos do mal, nas regiões celestes” (Ef 6: 12). Esta declaração demonstra a incomparável compreensão espiritual daquele a quem “foi dada a graça de anunciar aos gentios as insondáveis riquezas de Cristo” (Ef 3,8). Inteligência que transcende decisivamente os limites dos efeitos contingentes, para atingir a causa metafísica dos eventos.
Deuses, homens e demônios
São Paulo, na verdade, em virtude da experiência particular de Cristo, culminando com o arrebatamento ao terceiro céu, no paraíso, onde “ouviu palavras inefáveis, que não é lícito ao homem falar delas” (2 Cor 12, 4), não faz outra coisa senão amplificar o âmbito temporal do “iniquitatis mysterium” já em ação (2 Ts 2: 7), não atribuindo-a aos homens em particular, mas reconduzindo-o à sua verdadeira e única essência: “o príncipe do poder do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência “(Ef 2,2).
O Apóstolo dá a entender que os poderosos deste mundo estão, por sua vez, submissos a um poder superior, metafísico, constituídos por aqueles espíritos dos ares aos quais são dirigidos os cultos e sacrifícios celebrados nas falsas doutrinas. A tal poder estão sujeitos não apenas aqueles que participam, mas também aqueles que permitem que tais cultos ilícitos sejam celebrados.
Na antiguidade, era muito comum a crença generalizada de que “uma criança ou grupo de crianças pré-púberes pudessem constituir os melhores guardiões de revelações, sonhos e adivinhação”. Crença apoiada no fato de que na Roma antiga haviam os “pueri mágicos”, que os sacerdotes induziam ao transe ou sono mágico: “Quando um espírito é invocado, ninguém tem o poder de vê-lo senão os meninos de onze e doze anos de idade ou aqueles que são verdadeiramente virgens »[1].
Santo Agostino examina essas crenças e práticas invocatórias dirigidas aos deuses e demônios, em sua obra Cidade de Deus. Ele relata a opinião comum, afirmada especialmente por Apuleo, sobre a realidade animada, ordenada em três classes: “deuses, homens e demônios. Os deuses ocupam a posição mais proeminente, os homens uma posição ínfima, os demônios no meio, nos ares. De fato, a sede dos deuses é o céu, a dos homens a terra, e os demônios no ar”(Livro 8, 14). Os demônios estão entre homens e os deuses e atuam como intermediários. E, enquanto tal, são propiciados através de cerimônias mágicas e mediante o oferecimento de sacrifícios apropriados. No entanto, acrescenta o santo de Hipona: “Esses são espíritos cheios de desejo de fazer o mal, totalmente alheios à justiça, inchados de orgulho, lívidos de inveja, astutos no engano; habitam no ar, porque foram abatidos da sublimidade do alto dos céus como punição por uma transgressão irremediável e condenados a esta espécie de cárcere que para eles é conveniente “(L. 8, 22).
Oportunas e inoportunas
Estes mesmos demônios são apontados por unanimidade pelos especialistas em exoterismo como os verdadeiros governantes das seitas secretas. Pierre Mariel, por exemplo, concluiu que essas fraternidades ocultas “obedecem todos (e os superiores o sabem bem) a uma única direção. Existe (para além das diferenças aparentes) Superiores Desconhecidos, reagrupados em um centro do mundo, que são os condutores deste cartel, onde cada sociedade é um instrumento dócil e bem afinado “[2].
Estes “superiores desconhecidos”, “daemon” por assim dizer, ainda presentes e mais do que nunca ativos em nosso meio, são esses espíritos malignos espalhados no ar, contra os quais São Paulo guerreou sem reservas. E contra os quais temos que lutar, no sentido paulino, “para que possais resistir nos dias maus e manter-vos inabaláveis no cumprimento do vosso dever.” (Ef 6: 13). De resto, “as guerras são vencidas apenas por aqueles que forem capazes de atrair dos céus as forças misteriosas do mundo invisível e que sabem assegurar-se de seu patrocínio” [3]. E somente os cristãos têm do seu lado o favor incondicional das potências angélicas, que de nós não esperam outra coisa senão serem invocadas em todas as oportunidades, “oportunas, inoportunas” (2 Tm 4: 2), para intervir em nosso favor.
_Notas_
[1] F. M. Dermine, místicos, videntes e médiuns – Experiências do Além em confronto, Libreria Editrice Vaticana, 2002, p. 99.
[2] P. Mariel, As sociedades secretas que dominam o mundo, Florença, 1976, p. 207.
[3] F. Belfiore, San Paolo, Volpe Editore, Roma, 1971, p. 12.
Por  Giancarlo Infante – Papale Papale | Tradução: FratresInUnum.com
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O americano Richard Gallagher é um psiquiatra certificado pela Junta Americana de Psiquiatria e Neurologia que reconheceu a possessão demoníaca de uma autoproclamada sacerdotisa satânica, depois de não encontrar evidência científica para provar que ela sofria de um transtorno mental. Gallagher, que também é professor de psiquiatria clínica no New York Medical College, atualmente trabalha em um livro sobre posse demoníaca e esta é a sua história.
No final da década de 80, Richard conheceu uma mulher que se referia a si mesma como bruxa, vestia roupa escura e utilizava sombras de olhos de cor negra que chegavam até as têmporas. “Em nossas muitas conversas, reconheceu adorar Satanás como sua ‘Rainha’”, contou o cientista ao jornal Washington Post.
Devido à formação de Gallagher como psiquiatra pela Universidade do Yale e em psicanálise pela Universidade de Columbia, foi contatado por um sacerdote católico que procurava sua opinião profissional, especificamente para descartar que a mulher sofresse de um transtorno mental e assim assegurar-se de que se tratava de uma posse demoníaca.
“Senti-me cético. Mas o comportamento da mulher superou o que podia explicar com minha formação. Ela podia dar-se conta dos segredos de algumas pessoas, sabia como tinham morrido indivíduos que nunca conheceu, incluindo a minha mãe e seu caso mortal de câncer de ovário”, disse Gallagher.
Além disso, seis pessoas lhe asseguraram que durante os exorcismos realizados a esta mulher, escutaram-na falar vários idiomas incluindo o latim, que era totalmente desconhecido para ela.
“Esta não era uma psicose; só consigo descrever como uma capacidade paranormal. Cheguei à conclusão de que estava possuída”, expressou.
“Durante os últimos 25 anos, em várias centenas de consultas, ajudei clérigos de várias denominações e credos a filtrar os episódios de uma enfermidade mental –que representam a imensa maioria dos casos– de, literalmente, uma obra do diabo”, conta o psiquiatra.
Gallagher assegurou ainda que não vê a ciência e a fé em conflito: “os mesmos hábitos que realizo como professor e psiquiatra –abertura, respeito pela evidência e a compaixão pelo sofrimento– me ajudam a discernir se estes ataques são em realidade maus espíritos ou se trata de condições médicas”, explica.
Segundo o especialista os ataques que recebem os indivíduos se classificam como “possessão demoníaca” ou como “opressões”, que são ataques mais comuns, mas menos intensos.
“Geralmente uma pessoa possuída pode entrar em uma espécie de transe e apresentar estados de voz nos que se injuria e menospreza a religião, assim como entender e falar vários idiomas estrangeiros previamente desconhecidos”, narrou.
Acrescentou também que pode apresentar “uma força enorme ou inclusive o estranho fenômeno de levitação. Pode-se exibir ‘conhecimento oculto’ de todo tipo de coisas, como a forma em que seres queridos de estranhos morreram, os erros que cometeram, inclusive como se encontram as pessoas em um momento dado. Estas são habilidades que não se podem explicar, exceto pela capacidade psíquica ou sobrenatural”.
O especialista comenta que embora se aproxime de cada caso com certo ceticismo, tecnicamente não realiza um “diagnóstico” próprio, mas informa aos clérigos que os sintomas que se apresentam não contam com uma causa médica concebível.
“Sou consciente da forma em que muitos psiquiatras veem este tipo de trabalho. Enquanto a Associação Americana de Psiquiatria não tiver uma opinião oficial sobre estes assuntos, o campo estará cheio de céticos e materialistas”, sentenciou Gallagher.
A demanda de exorcistas está crescendo nos Estados Unidos, onde pelo menos há 50 exorcistas “estáveis” frente aos 12 que havia há apenas uma década.
Assim o explica o Pe. Vicente Lampert, um sacerdote exorcista da Arquidiocese de Indianápolis. Atualmente este sacerdote recebe perto de 20 consultas por semana, o dobro de quando seu Bispo o nomeou em 2005.
ACI
exorcismo
É preciso confessar: exorcismo e possessão diabólica, no geral, despertam em nossa mentalidade uma reação entre fascínio e aberta descrença. Coisa de filme, pensamos. Mas a prática de exorcismo é regulada pela Igreja com o ritual De exorcismis et supplicationibus quibusdam, adotado em 1998 em substituição do anterior (que também pode continuar sendo usado). Suas bases são a Sagrada Escritura e a teologia. É um assunto delicado, que precisa ser tratado com prudência por sacerdotes preparados e equilibrados (“ornados de piedade, ciência, prudência e integridade de vida”), expressamente autorizados pelo seu bispo.
Aleteia conversou com o pe. César Truqui, mexicano, hoje exorcista na diocese de Chur, na Suíça. Ele foi a Roma como palestrante no XI Curso “Exorcismo e Oração de Libertação”, do Ateneu Pontifício Regina Apostolorum em parceria com o Grupo de Estudos e Informação Sócio-Religiosa de Bolonha e com a Associação Internacional de Exorcistas.
Aleteia: Que tipo de mal é enfrentado num exorcismo?
Pe. Truqui: Um mal personificado. Paulo VI falou da “fumaça de Satanás”. Não é a simples “privatio bonis”, privação de um bem, descrita pela filosofia, mas um mal eficaz, operante. Falamos da presença de um ente mau. O que é esse ente mau só a fé pode dizer, não a ciência. A fé nos fala da existência de seres espirituais: os bons são os anjos, os maus são os demônios.
O mal, entendido como uma entidade que se apossa fisicamente de alguém, é um pouco difícil para as pessoas aceitarem, não?
Pe. Truqui: Sim, é verdade, porque normalmente, na vida, não se tem esse tipo de experiência. Pelo ministério que eu exerço há tantos anos, tive a oportunidade de estar com essas pessoas e, para mim, é mais fácil acreditar que certos fenômenos existem.
Como o senhor começou?
Pe. Truqui: Foi coisa da Providência. Quando eu fui ordenado sacerdote, 12 anos atrás, participei de um curso com sacerdotes exorcistas como o pe. Bamonte e o pe. Amorth. É aconteceu que um senhor francês de 40 anos foi possuído por Satanás e precisava do exorcista, mas o pe. Bamonte não falava inglês nem francês. Então eles me pediram para ajudá-los no diálogo preliminar.
Quais são as sensações que o senhor experimenta diante da manifestação do mal?
Pe. Truqui: São sensações que mudam com o tempo. Nas primeiras sessões de exorcismo em que eu participei, a impressão mais forte foi a confirmação tangível de que o Evangelho que eu tinha lido e meditado era verdadeiro. No Evangelho, Jesus luta contra o diabo que se apresenta com diversos nomes: “meu nome é Legião, meu nome é Satanás”. No Antigo Testamento, no livro de Tobias, há um demônio chamado Asmodeu. Esses nomes eu já ouvi de demônios em várias sessões de exorcismo. No nível espiritual, tem sido uma experiência muito rica porque me permitiu experimentar na carne, através dos sentidos, a realidade de que Jesus falou.
E no nível tangível?
Pe. Truqui: No caso do homem francês, eu me lembro que, durante a manifestação do diabo, eu tinha a impressão de estar envolto pela soberba, como se fosse fumaça ou neblina. É difícil de explicar, mas a soberba parecia algo que podia ser tocado; ela enchia a sala. O exorcista perguntou o nome dele e ele respondeu: “Sou rex”. Não existe um demônio chamado “rex”, rei. O exorcista insistiu: “Diga o seu nome”. E ele finalmente respondeu: “Eu sou Satanás, o príncipe deste mundo”.
Por que se pergunta o nome?
Pe. Truqui: O ritual exige isso por um objetivo preciso. Dar o nome a uma coisa ou saber o nome significa ter poder sobre essa coisa. Deus deu a Adão o poder de dar nome às coisas. No momento em que o diabo revela o seu nome, ele mostra que está enfraquecido. Se não diz, ele ainda está forte.
Há sinais típicos da possessão?
Pe. Truqui: Os previstos pelo ritual. São quatro: a aversão ao sagrado, falar línguas desconhecidas ou mortas; ter uma força extraordinária que vai além da natureza da pessoa; e o conhecimento de coisas ocultas, escondidas.
As pessoas podem, elas mesmas, se colocar em condições de perigo?
Pe. Truqui: Sim. Aproximando-se de tudo o que tem a ver com magia, ocultismo, bruxaria, cartomancia. Se para nos tornarmos santos é preciso ir à missa, rezar, se confessar, se aproximar de Deus, do mesmo jeito as missas negras, os ritos satânicos, os filmes e músicas desse tipo têm o efeito de aproximar do diabo. Eu tive o caso de uma mulher que tinha começado a ler as cartas, como fazem muitos por brincadeira. Só que ela adivinhava realmente o passado e o presente das pessoas, e, em alguns casos, o futuro. E, naturalmente, ela fazia um grande sucesso. Em certo ponto, ela compreendeu de quem dependia o seu sucesso e parou, mas já era tarde demais: ela estava possuída.
Como é possível “encomendar trabalhos” voltados para o mal?
Pe. Truqui: Da mesma forma que eu posso contratar alguém para matar uma pessoa, eu posso pedir que um demônio provoque um dano. Mas atenção: a esmagadora maioria dos ritos realizados por quem se diz bruxo é enganação, não tem qualquer efeito.
Basta um exorcismo para livrar a pessoa?
Pe. Truqui: É dificílimo. Normalmente, são necessários vários exorcismos.
Funciona como uma terapia?
Pe. Truqui: Sim. O exorcismo é um sacramental, não um sacramento. O sacramento é eficaz em si mesmo. Se eu dou a alguém a absolvição na confissão, naquele momento, verdadeiramente, os pecados dessa pessoa são perdoados. Já o exorcismo é eficaz na medida da santidade do sacerdote, da fé da pessoa para quem é realizado o exorcismo e de toda a Igreja. Se hoje os exorcismos são menos eficazes, é porque toda a Igreja está mais fraca.


Pe. Truqui: Ambos têm o mesmo objetivo: a libertação da pessoa da influência do mal ou da possessão. O exorcismo em sentido próprio é um ministério dentro da Igreja, conferido pelo bispo a alguns sacerdotes. Só pode ser exercido por sacerdotes, não por leigos, e só pelos que têm uma permissão explícita do bispo. Já a oração de libertação pode ser feita por qualquer pessoa, homem ou mulher, leigo ou sacerdote, em virtude do nosso cristianismo, porque Jesus disse: “Quem crê em mim expulsará os demônios”. O exorcismo, além disso, é um comando direto ao demônio, enquanto a oração de libertação é uma súplica a Deus ou à Virgem Santíssima, para que ela intervenha.
Quantas pessoas que procuraram o senhor estavam realmente possuídas?
Pe. Truqui: Pouquíssimas.
E por que elas acham que estão possuídas?
Pe. Truqui: Entre as pessoas que vêm até mim, eu distingo três casos: o verdadeiro possuído, o não possuído e o caso problemático. O primeiro e o último são os mais fáceis: você sabe que se trata de um verdadeiro possuído porque ele manifesta os quatro sinais e porque, quando você faz as orações, a pessoa entra em transe e reage de um modo que o exorcista conhece. Poderia ser fingimento, mas é difícil. No segundo caso, com a experiência de sacerdote e confessor, você percebe quando há problemas espirituais ou psicológicos e pode descartar a influência diabólica. O problema é quando você encontra alguém que parece realmente possuído, mas não está, porque existem traumas profundos acompanhados de comportamentos de risco, tais como participar de sessões espíritas ou recorrer a cartomantes. Eu conheci uma moça que foi estuprada por um homem que se dizia “mago latino-americano” e que tinha se apaixonado por ela. Um dia ele deu a ela um café com alguma droga e a violentou: ela estava consciente, mas não conseguia reagir. Esse trauma enorme a fez pensar na possessão diabólica por meio da droga ingerida e da violência sofrida. Eu pensei que ela estivesse mesmo possuída. Mas quando orei e lhe impus as mãos durante o exorcismo, ela nunca entrou em transe, nem havia traço de outros fenômenos. Então eu percebi que a causa era outra. É por isso que, nos cursos para exorcistas, abordamos quadros médicos e psiquiátricos que podem entrar em jogo nessas situações.
As pessoas realmente possuídas, como elas vivem?
Pe. Truqui: Elas vivem de maneira comum. O diabo não age continuamente nelas. Vou fazer uma comparação paradoxal para tentar explicar: se uma pessoa compra um carro, aquele carro fica à disposição dela, ela o usa quando quer. Acontece o mesmo com a pessoa possuída. Há momentos em que o diabo age: ele entra no carro e dirige do jeito que quer. E há outros momentos em que não. O carro tem um dono, mas o dono não o usa o tempo todo.
Quando é preciso procurar um exorcista?
Pe. Truqui: Quando o que acontece com você escapa do normal. Eu conheci uma senhora em Roma que era ateia, uma católica só batizada, que não acreditava em nada. Ela foi possuída, não sei em que circunstâncias. Começou a ouvir vozes continuamente, que a incitavam a matar o marido e o filho e depois tirar a própria vida. Ela pensou que estava louca e foi procurar um psiquiatra, mas ele se viu diante de uma pessoa muito inteligente, coerente e com muita clareza de ideias. O psiquiatra não pôde curá-la. Um dia, as traças tinham comido todas as roupas daquela mulher, mas sem tocar nas do marido, que estavam no mesmo armário, nem nas do filho. E não foi encontrada traça nenhuma na casa. Algo inexplicável. Uma amiga aconselhou a mulher a procurar o padre Amorth e ele descobriu que ela estava possuída. Mas ela não acreditava nem nos anjos nem nos demônios. Agora ela é uma cristã praticante. Por que Deus permite isso? Também para o bem das pessoas.
O senhor teve a oportunidade de perguntar a alguém quais foram as suas sensações durante o exorcismo?
Pe. Truqui: Eu perguntei àquele senhor francês, de quem já falamos, o que ele tinha sentido durante o exorcismo e ele me disse que sentia como se dentro dele houvesse um campo de batalha. De um lado, ele sentia os demônios correrem desesperados e falarem entre si; por outro, quando o padre rezava, ele sentia a luz de Deus que os varria para fora, mas, em seguida, eles voltavam de novo.
Qual foi o caso que mais o impressionou?
Pe. Truqui: A experiência de um demônio mudo. Jesus fala disso no Evangelho e diz que eles são os mais difíceis de expulsar e que eles só saem com a oração e o jejum. É uma raridade um demônio mudo. Em 12 anos de exorcismo, só me aconteceu uma vez.
O senhor nunca tem medo?
Pe. Truqui: No início, eu tinha. Depois você fica habituado também a certas manifestações e não se surpreende mais ao ouvir uma voz que muda: uma mulher que começa a falar com voz fina e de repente passa para um tom cavernoso. É preciso ficar atento para não cair na obsessão pelo maligno. O exorcista sabe que o diabo existe, mas também que ele não está em todos os lugares. Eu entendi, acima de tudo, que o exorcismo é um ministério de misericórdia: um ato de amor por uma pessoa que sofre. Só isso.
Aleteia
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Constatada a presença de males maléficos, é sempre uma boa atitude reforçar os próprios gestos e orações, invocando para nós ou para a pessoa atingida uma intercessão. Três são, entre todos os indicados possíveis, aqueles que poderiam ser definidos como intercessores necessários: o Espírito Santo, o nome de Jesus e Maria Santíssima.
A propósito da Virgem Maria, convém tornar presente um aspecto que não é secundário. Se tudo foi criado em vista de Cristo, pois já nos planos de Deus estava a encarnação do Verbo (quiçá como Triunfador e não como Salvador que deveria sofrer, porém já como Triunfador e centro do criado), o segundo ser pensado por Deus após o primeiro, que é a encarnação do Verbo, não podia ser outro senão aquele em que o Verbo de Deus, a segunda pessoa da Santíssima Trindade, se encarnaria.
A partir do momento em que, após o pecado de Adão, a encarnação de Cristo assumiu esta fisionomia particular, pela qual Jesus veio como Salvador e Redentor, também Maria, Sua mãe, foi associada a este desempenho, sendo isenta da culpa original em vista dos méritos de Cristo. Dado que também Maria é uma criatura humana, que faz parte da estirpe de Adão, estaria sujeita à culpa original, se tão tivesse sido isenta preventivamente, em vista da redenção de Cristo.
Além disso, Maria não é somente mãe do Redentor, mas também colaborador em Sua obra redentora; não é por acaso que Imaculada é representada pelos pintores e escultores no ato de esmagar a cabeça da serpente, imagem do Demônio. Com maior razão, trata-se, pois, de uma intercessora poderosa.
A seguir, na ordem celeste, são certamente intercessores valiosos os arcanjos e anjos, que sempre intervêm com suas legiões na luta contra o Maligno; em razão disso, basta pensar no livro do Apocalipse, onde é relatada uma batalha no céu: Miguel e seus anjos contra Satanás e seus anjos rebeldes, que foram derrotados pelo arcanjo e precipitados ao Inferno.
“Houve uma batalha no céu. Miguel e seus anjos tiveram de combater o Dragão. O Dragão e seus anjos travaram combate, mas não prevaleceram. E já não houve lugar no céu para eles. Foi então precipitado o grande Dragão, a primitiva Serpente, chamado Demônio e Satanás, o sedutor do mundo inteiro. Foi precipitado na terra, e com ele os seus anjos”. (Ap 12,7-9)
Esta é a razão pela qual se costuma invocar Miguel arcanjo, na qualidade de chefe das fileiras angelicais; a seu lado, invoco sempre também os anjos da guarda de todos os presentes, entre os quais, obviamente, não falta jamais São Gabriel arcanjo, que é meu padroeiro.
Fala-se com frequência de São Bento como patrono dos exorcistas, quando, na realidade, não está provado historicamente que o Papa Honório III o tenha nomeado como tal. Porém, a partir do momento em que não há um patrono oficial, nós o invocamos, pois, com certeza, era fortíssimo na luta contra o Demônio. São Bento era monge, talvez sequer sacerdote, e por certo não era exorcista; a razão desta identificação está no fato de que ele foi um grandíssimo santo e demonstrou uma grande força contra o Demônio, dado que frequentemente o expulsava. Sua medalha tem particularmente uma notável eficácia, contendo muitas frases contra o maligno.
Quanto ao que diz respeito aos santos, todo exorcista invoca aqueles dos quais é pessoalmente mais devoto ou dos quais é mais devota a pessoa que é exorcizada.
Para melhor entender, um exemplo prático: meu caro colega, decano dos exorcistas italianos, que exerce o ministério há 46 anos, padre Cipriano de Meo, vice-postulador na causa de beatificação de um coirmão capuchinho, de nome padre Mateus, é devotíssimo dele e, quando o invoca, obtém grande eficácia, ao passo que quando eu o invoco não se sucede o mesmo, porque eu não tenho a mesma devoção de padre Cipriano. Portanto, pode-se dizer que não existem santos que tenham uma força especial contra o Demônio; certamente, como tais, todos os santos a possuem, mas nós invocamos aqueles de quem somos mais devotos.
Afinal, há muitos casos de santos atormentados pelo Demônio. Entre os mais emblemáticos, especialmente por se tratar de um acontecimento bastante recente, está o da irmã carmelita que passou a ser chama Pequena Árabe: com efeito, irmã Maria de Jesus Crucificado, várias vezes no decurso de sua vida, sofreu verdadeira e própria possessão diabólica e teve necessidade de ser exorcizada para obter a libertação. Por outro lado, conhecemos vários casos de santos – tais como São João Bosco, o Santo Cura d’Ars, padre Pio, Santa Gemma Galgani, Santa Ângela de Foligno, Dom Calábria, e poderiam ser citados muitos outros numa lista sem fim- que tiveram vexações diabólicas, das quais foram libertos sozinhos, graças à oração e aos sacramentos.
A questão fundamental a ser salientada está em que a Bíblia jamais nos diz para ter medo do Demônio, porque nos garante que podemos e devemos resistir-lhe, fortes na fé. Antes, a Bíblia nos diz que devemos temer o pecado, sendo que todos os santos o combateram. Combatendo o pecado, combate-se o Demônio, como dizia Paulo VI ao ser interrogado, em seu famoso discurso de 15 de novembro de 1972, sobre o Demônio, a propósito de como se devia fazer para impugnar o Maligno: “Tudo o quanto nos defende do pecado, defende-nos de Satanás”. Nós devemos ter medo somente de não estar na graça de Deus, o que significa confessar-se, participar da Santa Missa, receber a comunhão e, além disso, fazer adoração eucarística e rezar, especialmente com os salmos e o rosário; todos estes são, entre outros, os melhores remédios contra a atividade extraordinária do Demônio: se permanecermos na graça de Deus, estamos blindados. Especialmente porque o Demônio tem muito mais interessem em possuir almas, ou seja, fazê-las cair no pecado, do que em provocar distúrbios, os quais, como vimos e vemos nos santos, em última instância obtêm somente o resultado de santificar. Com efeito, os santos oferecem os seus sofrimentos a Deus a tal ponto que um grande santo, como São João Crisóstomo, afirma que o Demônio, malgrado seu, é um santificador das almas, porque é um derrotado e porque busca sofrimentos nestas pessoas santas, que sabem oferece-los ao Senhor e, portanto, sabem fazer deles um meio de santificação
(Amorth, Gabriele. Vade Retro Santanás. Trad. Alda da Anunciação Machado. Ed.Canção Nova: São Paulo, SP.1ª edição.pp.61-65)

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O Pe. Gallego as escuta e diagnostica. Reza. E, se percebe que se trata de influência ou possessão, faz o exorcismo – que nem sempre dá resultado na primeira sessão. Em 50% dos casos, trata-se de possessão ou influência maligna; os demais casos costumam ser de doenças mentais.
O demônio, explica, “se manifesta de maneiras muito diferentes. Não pense em filmes como ‘O exorcista’. Às vezes, a normalidade é muito inquietante. Não chega de repente. Manifesta-se causando dano. As pessoas sofrem e se afastam de Deus: esta é a missão do Maligno”.
– De que porcentagens estamos falando no caso das possessões demoníacas?
Cerca de 90% dos exorcismos são por influência maligna; apenas 10% são por possessão.
– O senhor tem certeza quando é um caso de possessão demoníaca?
Não, nunca há certeza total. O que eu vejo são manifestações desse espírito maligno nas pessoas. Pessoas fiéis que sofrem, que falam com voz cavernosa, que estão atormentadas e precisam se livrar dos demônios. Pedem cura. Eu não curo ninguém, é Deus quem age.
– Há quem pense que o demônio não existe.
Sim,(…) As pessoas procuram ajuda, eu recebo gente de todos os lugares. Toda diocese deveria ter um exorcista, mas nem sempre há.
– Estou vendo sua agenda, está lotada. Quem vem?
Pessoas que vivem destroçadas e querem sair da situação de mal-estar enorme em que se encontram. Pessoas de todo nível social e condição. Crentes, não necessariamente católicos, mas que acreditam. Meus próximos dois meses já estão cheios.
– Um exorcista cobra pelos seus serviços?
Nunca cobro nada. Nenhum honorário. Isso dá confiança. Não quero dinheiro. Há muitos imigrantes. E pessoas de todos os tipos que não acredita que seu mal seja psicológico.
– O exorcismo não é somente para pessoas simples?
Recebo pessoas de todo tipo e condição. Eu escuto, faço um diagnóstico… Se for caso médico, encaminho.
– Como é um exorcista? Imagino vocês bem calmos e pacientes.
Sim, com uma paciência enorme e muito senso apostólico de ajudar as pessoas. Não é fácil, em agradável, nem é você que escolhe. A pessoa precisa ser piedosa, um doutor prudente e com integridade de vida. O bispo decide.
– E o exorcismo funciona na hora?
Às vezes, é imediato. Enquanto a pessoa espera pela consulta, peço que leia o Evangelho de cada dia, que reze. Se é possessão ou influência, só Deus pode tirar. Os santos ajudam, mas é Deus quem tira. Estar bem com Deus é fundamental.
– O senhor já sentiu medo?
Tive muito medo quando me nomearam. Hoje já não mais. É um serviço. Às vezes peço ajuda, peço que me acompanhem, quando vou estar com pessoas um pouco violentas.
– Como o senhor faz para que seu trabalho não o afete pessoalmente?
Eu reflito assim: faço isso em nome da Igreja, ela me dá a oportunidade de ajudar. Há momentos difíceis, porque as pessoas veem coisas muito estranhas, visões, presenças. Mantenho distância emocional, pois do contrário ficaria louco. Mas é preciso ter confiança em Deus. Enorme. Ou você é uma pessoa de fé, ou é melhor abandonar este ofício. Humanamente, não é simples.
– Como o senhor chama as pessoas que o procuram?
Pacientes, ou simplesmente fiéis angustiados que precisam de uma resposta.
– O demônio fala?
Através da pessoa possuída, claro. E fala comigo, é muito forte.
– Em que idioma os exorcismos são feitos?
O exorcismo é um ato da Igreja e eu faço o que a Igreja me manda; se pede que seja no meu idioma, eu faço assim. Mas gosto que os pacientes entendam, participem. Então, o latim não é necessário.
– Há casos de infestação de objetos?
Sim, claro, e de animais também, casas, carros.
– Já me fizeram um exorcismo, no Batismo, como a todos os batizados. As pessoas são conscientes disso?
Não, de jeito nenhum. Muitas pessoas desconhecem que no sacramento do Batismo se pratica um exorcismo. Puro e simples. O que eu faço é solene, extraordinário. E isso não pode ser banalizado.
– A própria pessoa percebe que está possuída, ou são as pessoas que convivem com ela que percebem?
As duas coisas. Ou você percebe, ou avisam você. Mas há sintomas: a pessoa não consegue dormir, tem tentativas de suicídio, de tudo. Se conversam com alguém que conhece um exorcista, então acabam vindo. Outros chegam porque já não sabem mais o que fazer.
– Então o senhor vê que a pessoa precisa e pratica um exorcismo. Como é feito?
Eu coloco a estola e começamos a oração de proteção.
– Precisa de água benta, sal e estola. E pronto?
Sim, e o ritual em mãos para a oração.
– O que é mais difícil nisso?
As renúncias a Satanás. Se eu vejo que as pessoas se bloqueiam e não as fazem, não continuamos, porque depois é um rito sem sentido. Não se pode fazer um exorcismo sem renunciar a Satanás.
– E como termina um exorcismo?
Eu termino com duas orações. Nossa Senhora para mim tem uma importância muito grande. Proponho a oração de São Bernardo a Ela. E uma de São Francisco: “Senhor, fazei de mim instrumento da vossa paz…”. E incentivo a pessoa a voltar a Deus. Não há outro caminho.
Fonte: Aleteia
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Exorcistas do Vaticano (The Vatican Tapes) e Exorcismo no Vaticano (The Vatican Exorcisms) estão no mesmo patamar de classificação: não são filmes ruins, mas péssimos! Lançados em 2015, o primeiro teve certa divulgação, inclusive está em alguns cinemas; o segundo, nem aos cinemas chegou, pois foi lançado para locação e compra digital neste ano, já que é de 2012.
O primeiro, quase um “thriller-terror” – se assim podemos chamar – com estrelas de renome, como Kathleen Robertson, Michael Peña, Djimon Hounsou, Dougray Scott, e John Patrick Amedori, baseado na história de Chris Morgane Christopher Borrelli. De acordo com alguns críticos, “tem pouco exorcismo, zero Vaticano e nenhum susto”. E isso tudo é fato!
O segundo, um pseudo-documentário, apresenta os relatos do cineasta Joe Marino, quando passou na Itália para realizar um documentário sobre exorcismo e a presença demoníaca nas pessoas. “Ele descobriu e registrou casos perturbadores: missas negras, rituais pagãos e exorcismos, revelando estranhas verdades sobre os segredos do Vaticano. Um lugar onde o sagrado e o profano sempre viveram juntos. Não há cenas cortadas, não existem efeitos especiais o que existe apenas, é a verdade sobre o diabo.”
Filmes assim, tentam (mesmo sendo fictícios) encontrar algo de errado dentro do Vaticano (pois neste, o próprio poster diz que o mal mora lá), além de falar que uma garota sumiu lá dentro dizendo que ela realizava orgias sexuais com pessoas lá de dentro. Esses tipos de películas tendem a conquistar o público pela polêmica que o mesmo traz e não por o conteúdo ser verdadeiro ou falso. A curiosidade é que alimenta as expectativas.
Sobre filmes de exorcismos, já falamos demoradamente em outra publicação. Mas esta aqui merece a ênfase a respeito do ritual em si que, em ambos os filmes, são bem aquém do que se previa e se prevê nos livros para tal coisa. Tudo bem que, em se tratando de filmes, temos que dar o desconto da parte romântica-ficcional que todo roteirista implanta.
Porém, como são filmes que tratam erroneamente da nossa Mãe, a Igreja, procurando mais uma vez denigrir sua imagem, vamos à apologética, nos referindo aos principais focos, sem contar spoilers, com as referências a alguns dos documentos do Magistério da Igreja a respeito dos Exorcismos e do seu Ritual.
Para começar, o Padre Paulo Ricardo, por meio de sua equipe, nos alerta que os “filmes de terror” – mesmo os mais equilibrados – geralmente inculcam nas pessoas um temor bobo e vazio. Zumbis não existem, assassinos em série não chegam para todos, e demônios, por sua vez, não saem por aí querendo possuir todo o mundo. Eles estão, é verdade, “como um leão a rugir, à procura de quem devorar” (1Pd 5, 8).
Hoje, quando se põe em dúvida a realidade demoníaca, é necessário fazer referência (…) à fé constante e universal da Igreja e à sua maior fonte: o ensinamento de Cristo”, diz o documento Fé Cristiana y Demonología, da Congregação para a Doutrina da Fé. “Com efeito, a existência do mundo demoníaco se revela como um dado dogmático na doutrina do Evangelho e no coração da fé vivida.”
O mesmo Padre Paulo Ricardo, em uma recente homilia diária, nos ensina que “as pessoas que não acreditam na existência do Demônio, têm também dificuldade de avaliar o que é que significa realmente se liberto por Cristo.”
Em referência aos exorcismos em si, também nos ensina o Catecismo da Igreja Católica, no número 1673 que:
Quando a Igreja pede publicamente e com autoridade, em nome de Jesus Cristo, que uma pessoa ou objeto seja protegido contra a ação do Maligno e subtraído ao seu domínio, fala-se de exorcismo. Jesus praticou-o e é d’Ele que a Igreja obtém o poder e encargo de exorcizar. Sob uma forma simples, faz-se o exorcismo na celebração do Batismo. O exorcismo solene, chamado “grande exorcismo”, só pode ser feito por um presbítero e com licença do bispo. Deve proceder-se a ele com prudência, observando estritamente as regras estabelecidas pela Igreja. O exorcismo tem por fim expulsar os demônios ou libertar do poder diabólico, e isto em virtude da autoridade espiritual que Jesus confiou à sua Igreja. Muito diferente é o caso das doenças, sobretudo psíquicas, cujo tratamento depende da ciência médica. Por isso, antes de se proceder ao exorcismo, é importante ter a certeza de que se trata duma presença diabólica e não duma doença.
A respeito do sacerdote que tem a prerrogativa de exorcizar, diz o Cânon 1172 do Direito Canônico:
“Ninguém pode legitimamente exorcizar os possessos, a não ser com licença especial e expressa do Ordinário do lugar. Esta licença somente seja concedida pelo Ordinário do lugar a um presbítero dotado de piedade, ciência, prudência e integridade de vida.”
Já o Youcat, no número 273:
o que é apresentado como ‘Exorcismo’ nos filmes de Hollywood não corresponde geralmente à Verdade de Jesus e da Igreja. […] No exorcismo está em questão a defesa contra a tentação e a opressão, e a libertação do poder do mal.
Bom, aparentemente, tudo isso é muito claro para nós… Mas, para a indústria cinematográfica, parece que não é bem assim. O que ela pretende, a cada novo filme desse tipo, é mostrar o quanto as pessoas são curiosas a respeito da sua própria fé, no que se refere à existência e presença do Demônio. O cinema brinca demais com o que não deve e muito menos com o que não conhece, mas apenas especula.
Por se tratar de especulações, então, inventam cenas e rituais que não estiveram presentes nos livros de exorcismos anteriores ao Concílio Vaticano II e muito menos nos posteriores a ele. Não bastasse isso, ainda se fantasia com certos poderes paranormais que possessos aparentam possuir.
No fundo, o que se pretende é provar a fé dos padres que executam os exorcismos, elevando infantilmente quase que ao mesmo patamar de uma doença física, este mal que é espiritual. Para se falar do Demônio é preciso crer em sua existência. Um ateu, como o cineasta Joe Marino se apresenta[va] não é capaz de compreender o que se passa na vida de quem é ou está possuído pelo Mal. Prova clara disso é o que a mídia, em geral, divulgou em relação ao “exorcismo” feito pelo Papa Francisco, quando impôs as mãos sobre um enfermo, na Praça de São Pedro, no dia 21 de Maio de 2013.
Se o que era pretendido com os filmes era apenas o lucro, com o seu fracasso, mostra-se claramente o quão carente de referenciais religiosos o suficiente para se falar de algo tão caro à nossa fé: salvação das almas. Não à toa, já no sacramento do batismo é feito o primeiro exorcismo da vida de todo cristão, professando a fé católica (o Creio) e renunciando ao Demônio, “autor e princípio de todo pecado”.
Apesar de os trailers serem muito bem feitos, não compensa nem perdermos tempo expondo-os e nem suas fichas técnicas. Isso deixamos por conta e risco de cada leitor.
O Demônio existe e ele está no meio de nós! Para a Igreja não é um “tabu” falar de Exorcismos. O fato é que não se deve mexer com o que não se conhece! Creiamos nisso e não necessitaremos de alimentar a nossa imaginação com filmes como esses, que não compensam gastar um centavo sequer para assisti-los.
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Aldina tinha uma vida de luxo e uma carreira sólida, mas sentia–se vazia. Durante 10 anos, procurou respostas e um sentido para a vida em médiuns, terreiros e astrólogos – o que, acredita, abriu as portas ao demónio. Aos 33 anos, viveu um autêntico filme de terror e foi diagnosticada com esquizofrenia, mas só os exorcismos a curaram.
Aldina ficou assustada. Da terceira vez que foi ao terreiro e a seguir a um ritual, os médiuns começaram a incorporar espíritos. Naquele dia, os homens estavam vestidos de dráculas e as mulheres de prostitutas. Fumava-se e bebia-se muito. Tudo diferente da primeira vez, em que os mesmos médiuns apareceram vestidos de branco e o ambiente “parecia encantador”. No momento em que quis ir embora para não voltar mais, uma força sobrenatural empurrou-a contra uma parede. “Voei, não sei como aconteceu.” 
Aldina nunca teve razões para se queixar da vida. Construiu uma carreira sólida como designer de moda e chegou a gerir equipas de design em empresas de renome. Ia a festas, viajava pelo mundo inteiro, tinha amigos em toda a parte, frequentava os melhores ginásios e os melhores restaurantes. Gastava toneladas de dinheiro em roupa e maquilhagem. “Vivia a vida intensamente.” Mas, ao final do dia, depois das festas e dos copos, era o vazio. “Achava ter tudo e, afinal, não tinha nada.” 
Durante 10 anos tentou encontrar-se em todo o tipo de espiritualidades para fugir ao vazio. Fez ioga e reiki e, pelo meio, passou pelo consultório de dezenas de médiuns, astrólogos e cartomantes. Entrou em centros espíritas e terreiros. Era batizada, dizia-se “católica não praticante”, mas não sabia que a Igreja proíbe essas práticas. Tinha fé e acreditava em Deus. Talvez por isso, e no meio da procura pelo sentido da vida, rejeitou sempre tudo o que estivesse ligado ao satanismo. “Nunca me meti em magia negra porque isso chocava com a minha ideia de bem e de fé, mas o resto achava inofensivo e até considerava que era divino e compatível com o meu catolicismo. Não via mal nenhum nas coisas.”    
A certa altura, frequentou um centro espírita durante meses – um pavilhão onde, uma vez por semana, se reuniam centenas de pessoas e trabalhavam dezenas de médiuns, entre eles médicos, professores e enfermeiros. Gente instruída e de classes sociais elevadas. Ali, misturavam-se imagens católicas, de Jesus e de santos, e elementos “estranhos e supersticiosos”. E não se pagava nada. “A maioria das pessoas considerava-se católica, como eu”, recorda Aldina. 
Com o tempo, foi acumulando livros nas estantes. “Como gosto de ler e de estudar, comprava tudo sobre ocultismo e espiritualidade.” Chegou a ter mais de 70 obras em casa, a maioria sobre filosofias ligadas ao movimento Nova Era – criado nos anos 1960 e que funde teologia, metafísica oriental e crenças espiritualistas. Muitas das videntes que consultou eram charlatãs e isso tornou-se evidente logo na primeira consulta. Outras, porém, conseguiram seduzi-la: “Tocavam em pontos chave da minha vida ou descreviam acontecimentos passados que só eu sabia.” 
A procura pelo sobrenatural acentuou-se com a morte do pai. Queria saber se ele estava em paz. Uma das videntes dizia falar por ele e imitava características da voz e gestos na perfeição. 
Sinais do demónio Em Agosto de 2010, poucos dias depois de fazer 33 anos e a seguir a um curso ligado à Nova Era, Aldina teve a primeira perturbação diabólica: sentiu uma presença constante e forte. De noite, não dormia com medo e, de dia, era perseguida por um peso “extraordinário, como se carregasse o mundo às costas”. Por esses dias, começaram os pesadelos. “Tão fortes, que acordava aos gritos.” 
De regresso de umas férias e à chegada ao Porto, entrou numa igreja. Pediu ajuda a Deus. E o que se seguiu, garante Aldina, foi “uma batalha contra o mal”. As manifestações passaram a ser quase diárias: “Ficava com uma força sobrenatural, falava em línguas estranhas, dava arrotos fortíssimos, o cabelo ficava em pé e todo embaraçado, a barriga inchava ao ponto de parecer grávida de meses, não suportava olhar para a cruz de Cristo.”
Com os primeiros sintomas, chegaram acidentes constantes e problemas no trabalho. Os pesadelos pioraram e, de noite, via vultos no quarto: “Os primeiros meses foram terríveis.” Nessa altura, trabalhava como freelancer e já não conseguia segurar as encomendas. Tentava disfarçar, dizia que estava doente. Se contasse o que sentia, o mais certo era as pessoas “não entenderem”. Tudo o que pensava era em recorrer a um exorcista, mas a família insistia que fosse a um psiquiatra, convencida de que poderia ser um caso de esquizofrenia. Tinha a certeza de que não era isso: “Já viu alguém enlouquecer de um dia para o outro? Ainda assim, fui.” O médico receitou-lhe medicação para a doença, mas Aldina diz que nunca a tomou. Ainda a tem, intacta, em casa. “Tomei só algumas vitaminas.” 
Preferiu a ajuda de um padre, mas o primeiro a que recorreu não a “entendeu”, apesar de até ter tido uma “reacção” diabólica mesmo à frente dele. Até que outro padre lhe falou do exorcista de Lamego. 
Nessa altura, em 2011, o padre Sousa Lara atendia sem marcação, um dia por semana. Fez-se à estrada e, assim que encarou com ele, teve uma crise. O caso foi imediatamente considerado grave: “Nesse dia, necessitei de várias pessoas a segurarem em mim.” 
A libertação Foram precisos quatro exorcismos iniciais e, passados alguns meses, mais dois. Seis sessões para convencer o demónio a ir-se embora. O exorcista receitou-lhe trabalho de casa: ir à missa, rezar o terço e a oração de libertação todos os dias e confessar-se no mínimo uma vez por mês. “Deveria viver em estado de graça para que Deus pudesse agir totalmente. E se deixarmos brechas, como confissões mal feitas, dificilmente ficamos curados”, explica Aldina.  
Há casos, como contou nas páginas anteriores o padre Sousa Lara, em que os exorcizados ficam completamente inconscientes durante as sessões. Mas os exorcismos de Aldina não foram assim: “Estava consciente, mas não conseguia controlar os meus movimentos e o que dizia.” No fim de cada sessão, experimentava sempre o mesmo: “Sentia-me temporariamente aliviada, mas com o corpo muito dorido, como se tivesse feito exercício físico intenso.”
Para conseguir libertar-se, teve de mudar de vida. Deixou de viver com o namorado, com quem já partilhava casa há anos: “Caso contrário, não me poderia confessar.” Para a Igreja, a coabitação antes do casamento é pecado. “Passei a querer ser obediente e fiel ao meu batismo e hoje entendo perfeitamente o motivo deste pedido da Igreja. Os planos de Deus são perfeitos, mas nós, infelizmente, nas últimas gerações, achamos que vale tudo. Há cada vez menos casamentos que duram toda a vida porque estamos a viver uma geração egoísta”, diz. Se no início estranhou ser católica praticante, agora a Igreja entranhou-se: “Vivo tudo mais intensamente.
Compreendo a graça de um casamento católico, do que é ser-se um sacerdote ou consagrado, do que são os sacramentos da Igreja na nossa vida. Tem sido uma longa e maravilhosa caminhada. Há males que vêm por bem.”
E, afinal, porque razão o demónio a perseguiu? Aldina está convencida de que “muitas portas espirituais” se abriram ao longo de uma década entre videntes, terreiros, espiritismos e adivinhações. Já passaram mais de três anos desde o fim dos exorcismos e não voltou a ter ataques. “Tive a graça de ser resgatada, mas quantos não se salvarão?” 
Fonte: http://www.ionline.pt/artigo/392264/-foram-precisos-seis-exorcismos-para-resgatar-aldina-das-trevas?seccao=Portugal_i
Padre-Jose-Fortea-5
Ao final da nona pergunta, entre uma lista com uns 20 questionamentos, o padre José Antonio Fortea, 46, interrompeu a entrevista perguntando se eu gostaria de uma benção. Sem jeito com a situação inusitada, acabei aceitando. A voz mansa e contida desse espanhol, que aparenta mais que a idade que tem, ficou ainda mais diminuída durante a oração.
 
Em determinado momento, pediu que eu desligasse meu gravador. Colocou a mão na minha cabeça e sugeriu: “Por que no cerras tus ojos?”. Fechar os olhos ali, no meio de dezenas de pessoas passando é um exercício que não estava preparado para fazer. 
 
Fui para entrevistar esse religioso, que passou por Franca em dois dias de encontros com outros padres e integrantes da comunidade Cenáculo. Ao final da oração, sem que nada tivesse dito a ele, lamentou minha falta de fé: “Por que tanta dificuldade em acreditar em Deus?”.
 
O que fez despertar a vontade de conversar com José Antonio Fortea foi o ofício a que se dedica. Ele é um dos cinco padres exorcistas em atividade na Espanha e o mais conhecido por lá. Seus livros e estudos sobre demologia são, entre os entendidos, referência mundial no assunto, a começar por seu trabalho Summa Daemoniaca, um tratado sobre o assunto.
 
O padre Fortea veio a Franca,,São Paulo, acompanhado do colega Alexandre Paciolli, pároco na Gávea, no Rio de Janeiro, depois de passar por Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Assim como o espanhol, o brasileiro é dedicado aos estudos do exorcismo no Brasil, tendo viajado por alguns países para tratar do assunto. É também membro da Associação Internacional de Exorcismo.
 
Conversar sobre isso é uma dificuldade, marcada sobretudo, pessoalmente, pela desconfiança de sua ocorrência, e pela maneira como as lideranças católicas tratam o exorcismo, prática secular, como o próprio cristianismo.
 
Paciolli explicou que os casos de possessão, o mais grave, são raros, porque a manifestação demoníaca ordinária é a tentação, caracterizada, segundo suas palavras, por atos ou situações sobre as quais a pessoa não possui muito controle.
 
Entre uma e outra está a obsessão, que ocorre atingindo os sentidos internos e externos, envolvendo a imaginação, tato e olfato. A pessoa tem visões, sente cheiros fortes, putrefatos. A dificuldade adicional é que todos os indícios podem ser confundidos com um problema psicológico. “A intervenção do exorcista é importante porque essas pessoas, muitas vezes sem saber, tiveram contato com as forças do maligno e estão infestadas por elas, sofrendo uma pressão tremenda, incluindo uma doença”, disse o padre Paciolli.
 
No estágio mais severo – a possessão -, o demônio toma conta do corpo. É quando se verificam reações estranhas, com o padre falando em latim e a pessoa, sem nunca ter tido contato com a língua, respondendo no mesmo idioma, ou quando o religioso se aproxima com a relíquia de um santo e o possuído identifica o objeto e pede para se afastar dele.
 
Falar línguas não conhecidas, usar de força física que nitidamente não existe em condições normais, posições humanamente impossíveis de serem feitas, como caminhar por paredes, são os sinais já presenciados pelo padre Paciolli em suas intervenções. 
 
O padre carioca reforçou o que José Antonio Fortea dissera na entrevista, falando sobre a preocupação pontual da igreja com os raros casos de possessão, sem descuidar da pastoral e das atividades mais comuns a que se dedica. 
 
Os que os dois discordaram foi sobre a forma como a mídia ou a indústria do entretenimento abordam a questão. Para Paciolli, a tendência é seguir pelo viés do sensacionalismo. “Eu não posso fazer do exorcismo um show. Eu não posso chegar na televisão e apresentar uma pessoa possuída”, disse. “É muito particular e há sofrimento. Vi coisas muito sérias, mas que só ajudaram a aumentar ainda mais a minha fé.”
 
Sem excluir responsabilidade de padres que cometeram excessos públicos em sessões de exorcismo, Alexandre Paciolli disse que algumas religiões tratam o tema com absoluto respeito, enquanto que outras caíram no exagero. “Conheço pastores evangélicos extremamente sérios e respeitosos. Tudo depende da pessoa que está trabalhando”, argumentou. “É preciso saber que leigos só podem fazer o trabalho de libertação, que é orar para Deus que liberte a pessoa. O leigo não dá ordem direta ao demônio, não conversa com ele. Isso é prerrogativa do padre exorcista.”
 
Fortea roda o mundo para palestras, para estudar casos de possessão demoníaca a para ministrar seu ofício a outros padres. Para que pudesse fortalecer sua atividade literária, vive atualmente em Alcalá de Henares, uma cidade de 200 mil habitantes, próxima a Madrid, onde atua como capelão de um hospital e de um convento. É pároco de Anchuelo, um povoado com 700 habitantes.
 
Apesar da notoriedade mundial, da mesma maneira que todos os outros padres exorcistas, só pode atuar nos limites de sua diocese, com autorização do bispo responsável e nomeação pelo papa.
 
Formado em Teologia pela Universidade de Navarra, Fortea nasceu em Barbastro, cidade natal de um conhecido personagem da Igreja Católica: José Maria Escrivá, o fundador da conservadora Opus Dei.
 
Fleumático, educado e comedido nas respostas e comentários, após uma longa manhã de eventos, estendidas pelas dezenas de pedidos para tirar fotos ao lado de fiéis e participantes do Cenáculo, José Antonio Fortea concedeu a seguinte entrevista ao Comércio.
 
O que o senhor faz exatamente em seu dia a dia?
Agora mesmo estou dedicado aos livros. Este ano, assim como no anterior, foi-me concedido ser capelão de um convento e de um hospital e assim ter tempo tanto para as viagens quanto para os livros. Se procurar pelo site biblioteca forteana, verá que tenho me dedicado a escrever há muito tempo.
 
Qual é a definição clássica do trabalho de um exorcista?
O exorcismo é um ritual pelo qual a Igreja Católica expulsa o demônio quando este está possuindo a alguém. É isso, basicamente.
 
Em algum momento o exorcismo se aproxima da prática do espiritismo, por exemplo?
Em nada. Em todas as religiões monoteístas, cristãs, judias ou muçulmanas dizemos que Deus nos habita. Deus colocou uma separação entre o nosso mundo e os que existem além e nós não podemos rompê-la. Se fazemos, é justamente quando podemos ter problemas.
 
O exorcismo não é uma prática exclusiva da Igreja Católica. Qual a diferença entre o ritual católico e os das demais religiões?
Todos os seguidores de Jesus, sejam os mais diferentes, em determinado momento oram para as pessoas que sofrem problemas desse tipo. O objetivo é o mesmo.
 
Qual a importância, hoje em dia, de seu ofício para a Igreja Católica?
O ofício de exorcista existe para ajudar as pessoas que precisam desse ministério. É um serviço. A igreja não tem nenhum especial interesse em fazer exorcismos e se o faz é porque existem pessoas que necessitam. O exorcismo não é o mais importante dentro da igreja, mas sob outros aspectos, a evangelização, a ajuda aos pobres, aos doentes. O exorcismo existe apenas para os que necessitam.
 
Por isso são tão poucos os padres que atuam como exorcistas?
Sempre foram poucos. Se há mais necessidade, existem mais padres. Sempre fomos poucos.
 
Como se debate esse assunto em pleno século 21?
Da mesma maneira que em todos os séculos. Não existe hora mais importante do que quando começou o cristianismo. Se existem pessoas que precisam de ajuda, Deus nos coloca à sua disposição.
 
O avanço da sociedade e dos meios de comunicação não afetam o entendimento que se tem do exorcismo em comparação a outras épocas?
O exorcismo é tratado de muitas maneiras pelos meios de comunicação. Há formas mais distorcidas e outras mais corretas, boas. Normalmente creio que seja tratado de maneira respeitosa. Mesmo quem não é católico ou cristão sabe que existe algo a mais. Não somos apenas átomos e moléculas.
 
Como se define a possessão demoníaca? Como ela é detectada em uma pessoa?
Orando pela pessoa, vemos quando algo se manifesta. Pessoas nos procuram dizendo que algo está se manifestando. É quando analisamos. Nos casos de possessão, as pessoas ficam muito furiosas, caem ao solo, gritam. São essas características. Isso não é normal; algo está se passando com ela. Falar línguas diferentes, que não conhece, também pode ser um sinal.
 
Por que acontece com uma pessoa e não com outra?
Não sei dizer. É um mistério. Não sabemos nada sobre essas coisas. O que sabemos é como tirar os maus espíritos. Mas não é claro porque eles entram no corpo de alguém.
 
Quem é o demônio, padre?
É um anjo caído.
 
O seu caso mais conhecido, difundido pela imprensa, foi o de uma moça com o nome fictício de Marta, cujo trabalho durou cinco anos. Como está essa mulher hoje em dia?
Já acabou (a possessão) há alguns anos. Ela tem uma vida normal. Conversamos de vez em quando.
 
Por que demorou tanto tempo?
Só Deus para responder.
 
Como vive uma pessoa nessas condições, caso não haja alguém para interceder, como o senhor?
Alguns sofrem por toda a vida. Outros levam uma vida mais ou menos normal.
 
A possessão se dá apenas em católicos?
Tenho casos de não-católicos, muçulmanos, gente com muitos estudos e pessoas ignorantes. Pessoas que creem e que não creem.
 
É possível saber se está ocorrendo uma farsa?
Em muitos casos a pessoa enferma crê que está possuída e acredita firmemente porque, afinal, está doente. Quando é assim, o trabalho é para um psiquiatra.
Fonte: GTN
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 Há poucos dias, se reuniram em Roma os membros da Associação Internacional de Exorcistas (AIE), a cuja plenária o Papa Francisco dirigiu uma mensagem. Entre os temas que trataram os sacerdotes da associação, esteve o da “emergência pastoral” ocorrida devido ao aumento em todo o mundo de casos que requerem um exorcismo. Uma das razões para a crise é a crescente influência do satanismo, do ocultismo e do esoterismo.
Em declarações públicas o porta-voz desta associação, o psiquiatra Valter Cascioli, explicou que “em comparação a anos atrás o número de exorcistas aumentou. Entretanto sempre digo que também há uma necessidade pois a carência destes está se convertendo em uma emergência pastoral”.
O médico italiano que colabora com esta associação, indicou logo que atualmente no mundo todo “o número de ocorrências de atividade demoníaca extraordinária está em aumento”.
Esta atividade, disse, pode dar-se por infestação (quando o demônio possui um lugar) possessão (em cujo caso se deve ir a um sacerdote e não a um bruxo) ou obsessões diabólicas.
Cascioli referiu ainda que o aumento se deve também “ao desenvolvimento de um interesse e as práticas que relacionadas com o mundo esotérico, o ocultismo e o satanismo”.
O perito psiquiatra explica logo que “há alguns países no mundo aonde nem sequer há um exorcista. As atividades demoníacas e as consequências das que falamos estão se difundindo em todo mundo, não é um fenômeno cultural”.
“O que está acontecendo não está condicionado pelos laços étnicos, nem está tampouco limitado a uma área geográfica específica”, conclui.
No último 13 de junho a Congregação para o Clero reconheceu juridicamente a Associação Internacional de Exorcistas (AIE), que hoje conta com 250 sacerdotes em trinta países de todo o mundo.
A ideia de reunir em associação os exorcistas foi do Padre Gabriele Amorth, famoso exorcista da diocese de Roma (Itália), quem, desde a década de 80 advertiu que grande número de testemunhos sobre perigos e ameaças do diabo, se deve a práticas de ocultismo entre os fiéis.
ACI Fonte https://blog.comshalom.org/carmadelio/tag/exorcismo