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CONFISSÕES DO INFERNO. Padres Exorcistas. PADRE GABRIELE AMORTH

CONFISSÕES DO INFERNO
AO MUNDO CONTEMPORÂNEO
As Revelações Através dos Padres Exorcistas
A REALIDADE DO MALIGNO
Este livro foi publicado, doze anos depois dos acontecimentos (ocorridos em 1975), é um grito de alarme aos suficientes que tudo explicam por causas naturais. Revela uma realidade hedionda, um mundo em permanente trabalho de destruição, que quer aprisionar as almas nas trevas e conseguir a sua condenação. Esses agentes do reino negro em expansão, falam do que estão a fazer, do que fizeram e do que planejam.
Tudo se passa no tempo do Papa Paulo VI, um homem de dores, e muito do que se diz refere-se àquela circunstância. No entanto, por cima disso, desfila um horizonte de destruição e negrura, uma aposta de demolição e uma raiva sem fim contra a humanidade e o Criador. O livro não perdeu a atualidade: antes a ganhou,   dada o sentimento do mundo que proclama  abertamente a morte de Deus e do diabo. Na realidade, nem o Criador se apagou, nem a má criatura desapareceu: antes trabalha para a perdição da Igreja e dos homens, com uma inteligência e eficácia inquietantes.
Os documentos no princípio e no fim desta obra, servem para mostrar que não se trata de uma história  fabricada por alucinados na Suíça.  É uma história real, verificável, inquietantes, misteriosa, que nos lembra as terríveis palavras de Nossa Senhora de Fátima: “Vão muitas almas para o inferno porque não tem quem reze por elas”.  Esse sítio existe e desse poço infernal espalha-se um mal que invade as mentes, as instituições e a terra. Leiamos com atenção e, como diz São Paulo referindo-se aos carismas, retenhamos o que é útil, o que é bom, o que é salvífico e nos pode ajudar na nossa vida de todos os dias.
Não nos fixemos nos pormenores, nas pequenas coisas; consideremos antes as grandes linhas e o sofrimento desta alma. Sofrimento real, terrível, medonho. Pensemos no nosso próprio sofrimento, tantas vezes exagerado para inglês ver. E se tivéssemos uma coisa assim?
Elevemos o nosso espírito  a Deus, numa oração profunda e verdadeira, peçamos por todos, invoquemos o Espírito Santo e... assim, com esta disposição, de entendimento aberto, comecemos a leitura.

PREFÁCIO
A MINHA EXPERIÊNCIA
(Testemunho do editor Bonaventur Meyer)
A par do grande número de casos de possessão, que chegaram até nós pela Sagrada Escritura, são muitos os textos literários que através dos séculos dão testemunho de tais fatos. O holandês W. C. Van Dam, na sua obra modelar Demônios e Possessos (Pahloch Editora, 1970) cita mais de duzentos livros diferentes, que dão testemunho desta realidade.
No ano de 1947 tomei conhecimento de um caso de possessão e pude verificar como da mesma pessoa se emitiam vozes estranhas e como a aspersão com água benta provocava uma imediata reação de repulsa.
Em 1975 assisti a um exorcismo de sete pessoas possessas, numa Igreja em Itália. Presenciei as reações dos pobres possessos durante o exorcismo. Além disso, vi o seu comportamento durante a recepção dos Sacramentos, a sua oposição e, finalmente, a sua capitulação perante o Santíssimo Sacramento. As pessoas assim atormentadas tinham vindo, por sua livre vontade, para serem exorcizadas por um Padre piedoso, “porque procuravam um alívio, que ninguém mais lhes poderia dar”, como elas próprias me confiaram.
Uma das possessas, que fora dos exorcismos se comporta como qualquer outra pessoa, mostrou-me cicatrizes nos seus braços, e explicou-me que durante 25 anos consultara médicos e professores de Medicina, mas ninguém tinha conseguido aliviá-la, a não ser aquele Padre, homem Santo, que na Igreja recitara um exorcismo. Esse Padre, homem piedoso e de alma fervorosa, proibiu-me de revelar o seu nome, dado que o Episcopado, por causa do ataque da imprensa atualmente generalizado em quase todo o mundo, não autoriza o Grande Exorcismo com que se expulsam os demônios e, além disso, impõe ao exorcista o maior silêncio para que nada seja tornado público.
Apesar da Bíblia referir cerca de 70 vezes o inferno e mais vezes ainda o demônio, encontramos na Igreja atual Bispos competentes, professores de Teologia tolerantes, que negam a existência pessoal do demônio, e com ela, a existência do inferno e também a existência de todo o mundo Angélico.

SOBRE A POSSESSA.
A propósito da possessa que este livro refere, chegou-se há pouco, mais uma vez, à conclusão de que no caso desta mulher e mãe se trata de uma alma reparadora, que desde os 14 anos é atormentada por pavorosos estados de angústias e períodos de insônia total. Foi tratada pelos métodos mais modernos da Medicina e da Psiquiatria durante as suas oito permanências em clínicas. Quando, depois do mais rigoroso tratamento, lhe deram alta, considerando-a como um caso inexplicável, um exorcista conhecido comprovou casualmente a possessão de um modo inequívoco.
Após um exorcismo, que contou com a colaboração de vários Sacerdotes, realizado num lugar de Aparições da Virgem (Fontanelli Montichiari, em Itália), tanto os demônios (anjos caídos) como almas danadas (pessoas condenadas) foram obrigados, por ordem da Santíssima Virgem, a fazer importantes revelações dirigidas à Igreja atual.
Tendo convidado vários Bispos e representantes da Psiquiatria e Medicina para assistirem a um exorcismo, realizado em 26 de abril de 1978, dia da Festa de Nossa Senhora do Bom Conselho, estiveram em minha casa, para a realização do exorcismo, seis Sacerdotes e também o psiquiatra francês Dr. M. G. Mouret, director clínico do hospital psiquiátrico de Limoux (França) possuidor de grande experiência em tais fenômenos.
Depois do exorcismo de três horas, com muitas revelações saídas da boca da possessa antes e após o exorcismo, o Dr. Mouret deixou por escrito o seu testemunho, afirmando que no caso presente não se tratava nem de esquizofrenia, nem de histeria, mas sim do controle da pessoa por uma força exterior, que a Igreja Católica apelida possessão.
Esta mulher, possessa e mãe de quatro filhos, é continuamente atormentada até ao limite das suas forças. Apesar disso, procura cumprir o melhor possível os seus deveres familiares. O fardo monstruoso, os tormentos causados pelos demônios que lhe perturbam o sono noturno, as continuas revelações feitas pelos espíritos, significam um martírio permanente. O seu único alívio vem daqueles Sacerdotes que, contrariando as tendências atuais, se compadecem do seu estado, lhe ministram os Sacramentos e recitam o Exorcismo.
Mas já em 25 de abril de 1977, por disposição da Divina Providência, tinha visitado a possessa e assistido a um exorcismo, acompanhado pelo prelado Professor Dr. Georg Siegmund, de Fulda. Como docente, formara gerações de Sacerdotes e também como teólogo, filósofo e biólogo, publicara já um grande número de trabalhos científicos, de tal modo que o físico de renome mundial, o cristão evangélico Pascal Jordan, qualificou-o como um dos filósofos e teólogos mais importantes da atualidade.
Sem tomar posição relativamente ao conteúdo das revelações demoníacas, o Prof. Siegmund atesta no epílogo: “Relativamente à pessoa, estou convencido de que não se trata, nem de uma histérica, nem de uma psicopata ou de uma doente psíquica, o que, aliás, já foi também confirmado por médicos especialistas. Os seus fenômenos de possessão, como eu próprio pude observar, dão a impressão de se tratar de possessão autêntica. Ela e também a sua família sofrem, pois que a autoridade competente, impede uma verdadeira assistência espiritual, por receios, aliás, compreensíveis, numa época em que reina a negação do espiritual”.
No seu testemunho, o Prof. Siegmund refere-se ao número sempre crescente de pessoas, mesmo nas escolas superiores de Teologia, que negam a existência de satanás e dos Anjos. A esta atitude segue-se a destronização do Altíssimo.
Bonaventur Meyer

A VIDA POSSESSA
Embora a senhora em causa, devido ao seu estado de saúde e à grande distância e isolamento da sua aldeia natal só tivesse freqüentado a escola primária, possui inteligência acima da média, compreensão rápida e boa memória. Da sua biografia, que ela própria escreveu à máquina, extraímos as seguintes passagens (por motivos compreensíveis omitimos nomes e lugares e, por questões de espaço, abreviamos as descrições).
“Os meus pais viviam numa pequena quinta. O lugar é muito isolado. Nasci na Suíça alemã, em 1937, no Domingo do Santo Escapulário, dia em que a admissão das crianças na Congregação do Escapulário era solenemente festejada. Fui batizada na terça-feira seguinte. Diz a minha mãe que eu, em bebê, chorava muito e dormia excepcionalmente pouco. Pensavam, no entanto, que isso era devido a problemas intestinais, mas nunca foi possível fundamentar essas conjecturas dum modo satisfatório.
Na primavera de 1944, comecei a freqüentar a escola. Era uma criança tímida e muito calma. Aprendia com facilidade. A leitura, a escrita e as contas, não apresentavam qualquer dificuldade para mim.
O meu lugar preferido era à beira do ribeiro, na erva e junto das flores. Muitas vezes juntava-me com outras crianças e gostávamos de agitar as pernas dentro da água. As nossas conversas eram iguais às de qualquer criança desta idade. Também falávamos, às vezes, de assuntos de carácter religioso, do Céu, do inferno, do Purgatório.
Fiz a primeira Comunhão em 1946. Levei esse ato muito a sério e preparei-me o melhor que pude. Dum modo geral, posso dizer que o tempo escolar passou sem incidentes dignos de nota. Desde muito nova acompanhava os meus pais ao campo, onde procurava ser útil. Os meus irmãozitos exigiam muito tempo e trabalho.
Depois da minha primeira Comunhão passei a ir quase diariamente à Missa e à Sagrada Comunhão. Tinha, então, a sensação, quando lia o meu Missal negligentemente ou rezava menos, de que as graças eram menos abundantes. Aos treze anos, tive que agüentar ataques mais ou menos duros doutras crianças. Cochichavam que eu era uma “beata” e que queria ir para freira. Senti-me profundamente envergonhada mas, referindo-se ao fato, a minha avó disse-me: “Ora, não dês ouvidos às outras crianças. Elas não sabem o que dizem. O que importa, é que Deus esteja contente contigo.”
Gostava muito de ir à Igreja e, quando na Missa solene, o coro entoava cânticos, os altares estavam ornados de flores e o cheiro do incenso se espalhava, tinha a impressão de que todos os que se encontravam estavam muito próximo do Céu.

ACEITAR A VONTADE DE DEUS
“Era o começo da insônia total e, o mais simples era aceitar a vontade de Deus. Mais tarde, compreendi que me envolvia e revolvia nesta cruel obscuridade, sem encontrar uma saída. Este tormento era o meu quinhão, dia e noite, e ninguém podia ajudar-me. A minha madrinha acompanhou-me ao médico, que ficava muito distante. Ele disse que eu tinha apanhado uma inflamação nos rins e na bexiga, e que isso atacara o sistema nervoso. Receitou-me medicamentos, mas continuei a piorar e algum tempo depois, o médico mandou-me para o hospital”.
Deste modo, esta pobre criança foi submetida, desde os catorze anos, ao mais duro dos martírios. Passou os anos seguintes ajudando nos trabalhos domésticos, sendo essa atividade apenas interrompida pelos tratamentos médicos e por curtas estadias no hospital. Como se esses sofrimentos não bastassem, teve que mandar arrancar os dentes porque um médico pensou que eles eram a causa dos seus sofrimentos. Isto, porém, não levou a nenhuma mudança no seu estado; foi apenas, para a pobre, um sofrimento suplementar.
A Divina Providência deu-lhe então um homem sem fortuna, mas honesto. Casou com ele em 1962, embora a princípio a família a tivesse dissuadido de o fazer. Esta mulher e mãe, na casa dos quarenta anos, deu à luz quatro encantadoras crianças. Durante a gravidez e os partos não experimentou quaisquer melhoras nos seus inexplicáveis sofrimentos. Pelo contrário. Mais enfraquecida que nunca foi levada para clínicas e casas de repouso, mas por fim os especialistas de uma clínica de grande nomeada, mandaram-na para casa, como uma pessoa mentalmente sã, mas considerando-a um caso inexplicável.
Injeções, eletrochoques e outros tratamentos, ocasionaram-lhe maiores e insuportáveis sofrimentos, interrompidos apenas por fugidios raios de luz. Por volta de 1972, (então com 35 anos), registrou ligeiras melhoras. Ela escreveu a este propósito:
“Descobriu-se, por acaso, que sofria duma falta total de fósforo. Tomei umas cápsulas e, de fato registraram-se melhoras, no meu estado geral. Até que ponto era fósforo, até que ponto era a vontade de Deus que me dava finalmente alívio? Não sei! Consegui dormir, se é que se pode chamar dormir a um mero passar pelo sono ou, quando tudo ia pelo melhor, dormitar. Os estados de angústia eram cada vez mais raros, sentia de novo vontade de rir e podia já fazer normalmente os meus trabalhos caseiros. O meu marido andava radiante, mas não havia ninguém que se sentisse mais aliviado do que eu. Podia ter novamente dois filhos comigo, o que me dava uma enorme alegria. Louvei e glorifiquei o Senhor por ter sido finalmente liberta, mas nem por isso deixei de compreender que o sofrimento, por maior e mais esmagador que seja, pode ser sempre uma graça. Por isso, pensava muitas vezes que Ele sabia a razão de me ter conduzido através desta noite.”

EXORCISMOS E REVELAÇÕES
Em 1974, sobreveio uma grave recaída. “A minha irmã levou-me a casa de um bom homem que já tinha prestado ajuda a muitas pessoas. Na sua presença, senti bruscamente uma sacudidela no braço, sem que eu o tivesse movimentado. O homem disse de repente: 'Penso que a senhora está possessa. Em seguida, fui ter com um Sacerdote, que se mostrou muito cético, mas que apesar disso, fez um exorcismo. Então, ele declarou-me que todos os sinais indicavam que se tratava de possessão.”
Finalmente, depois de difíceis exorcismos e de muitas orações, um exorcista experimentando conseguiu romper a barreira. Depois de vários exorcismos, os demônios e as almas condenadas, com certos intervalos, foram-se revelando. Conseguiu-se mesmo uma libertação temporária, mas todos os demônios voltaram. Pediu-se a um Bispo para dar autorização a um exorcismo oficial e para tomar a responsabilidade. No dia 8 de Dezembro de 1975, cinco exorcistas obtiveram autorização para o Grande Exorcismo. Seguiram-se outros, de carácter mais limitado, em que estiveram presentes, no máximo, três Padres. As revelações feitas no decurso destes exorcismos pelos demônios, sob as ordens da Santíssima Virgem, são as que se encontram na presente obra.

SITUAÇÃO PRESENTE
Os pais confirmaram, em algumas frases escassas e sucintas, certas datas da vida da sua filha. Tanto eles como ela ignoram até 1974 a origem dos seus indizíveis sofrimentos. Tudo tentaram, quer através da Medicina, quer da Psiquiatria, para que a filha pudesse ter alívio e curar-se. Tudo em vão. Restou-lhes unicamente o caminho da oração.
O que mais impressiona na casa paterna é a simplicidade e o horror a qualquer idéia de maravilhoso e espetacular. A origem dos sofrimentos da filha é para eles inexplicável e entregam-se confiantemente à oração, numa submissão total à vontade de Deus. Os numerosos documentos, como cartas, registros gravados e fotografias tiradas durante os exorcismos, estão à disposição da Igreja, para uma investigação canônica.
A Divina Providência nem sequer permitia os seus amigos ou vizinhos se interessarem sobre o que estava a passar-se. A sua possessão só se manifesta na sua vida interior e, embora seja cruelmente atormentada durante noites inteiras, pode durante o dia desempenhar as suas tarefas domésticas.
Desde 1975 que não freqüenta a Igreja e é horrivelmente assediada pelos demônios, em diversas partes da Santa Missa, à benção ou quando se encontra em contato com relíquias ou objetos benzidos. Sempre que possível, é semanalmente visitada por um Sacerdote que lhe ministra os Sacramentos.

OS PLANOS DE DEUS
Os sofrimentos expiatórios que esta mulher aceita com tanta generosidade, a miséria interior que suporta e o total abandono em que vive, particularmente nos dias que se seguem aos exorcismos, em união com os sofrimentos de Cristo, com a sua agonia e abandono, decerto muito contribuirão para a salvação das almas. A grande preocupação desta alma reparadora é a de não entravar, por sua culpa, as revelações feitas ao nosso tempo, pelos demônios, sob as ordens da Rainha do Céu e da Terra, e não permitir assim que, por negligência e descuido, muitas almas, que poderiam salvar-se, sejam condenadas para sempre.
Pedimos a todos os leitores destas linhas uma oração muito especial por intenção desta alma tão sacrificada.  《Apostolado Padre Gabriele Amorth》
— by Clevinho Maia

CONFISSÕES DO INFERNO. Padres Exorcistas. PADRE GABRIELE  AMORTH

CONSAGRAÇÃO AO ANJO DA GUARDA. ARCANJOMIGUEL.NET


CONSAGRAÇÃO AO ANJO DA GUARDA

Libertação de São Pedro pelo Anjo

1. O que é a consagração ao Santo Anjo da Guarda?

A idéia de consagração já se encontra no Antigo Testamento, quando Deus escolheu para Si o povo de Israel para concluir com ele uma aliança. Deus o "consagrou" para ser Sua propriedade, separando-o dos outros povos e colocando-o a Seu serviço (cf. Ex 19,6).  [www.arcanjomiguel.net] 
No entanto, é só com Nosso Senhor Jesus Cristo que se pode falar de "consagração" no sentido próprio da palavra. Pois é Ele "Aquele que o Pai consagrou e enviou ao mundo" (Jo 10, 36). 
A consagração original e principal, fonte de toda a consagração, é a da natureza humana de Cristo. Ele é o "Santo de Deus" (Jo 6,69), porque Sua humanidade é totalmente consagrada pela Sua divindade. Foi na Cruz que Cristo estendeu Sua consagração a nós: "Eu me consagro por eles para que também eles sejam consagrados" (Jo 17, 19):

"Com efeito, Cristo, Filho de Deus, que é proclamado << o único Santo >>, com o Pai e o Espírito, amou a Igreja como a Sua esposa, entregou-Se por ela para santificá-la, uniu-a a Si como Seu Corpo e cumulou-a com o dom do Espírito Santo para glória de Deus." (Lumen Gentium, n.39)

A Igreja é o lugar onde acontece a nossa consagração, cuja primeira e fundamental é a do sacramento do Batismo, pela qual participamos da consagração de Cristo que é aperfeiçoado pelo sacramento da Crisma. A essa consagração, que nos une a Cristo, deve corresponder uma entrega de toda a nossa vida a Deus, pois os "santificados em Jesus Cristo" são "chamados a ser santos" (1 Cor 1, 2).

Nossa consagração não é somente um dom, mas também uma tarefa. Aí há diferentes caminhos de aprofundá-la. 
Aqueles que são chamados para a vida consagrada aprofundam-na pela profissão dos conselhos evangélicos, na qual consagram toda a sua existência a Deus.
Mas também os leigos são convidados a viver mais plenamente a sua consagração batismal. Um caminho privilegiado para isto constitui uma "consagração" pela qual, à semelhança da consagração religiosa, a pessoa entrega a si mesma a Deus. A consagração ao Sagrado Coração de Jesus é o exemplo clássico a este respeito.

Dentre estas "consagrações" (de devoção) há também aquelas que não se dirigem exclusivamente a Deus, mas a Nossa Senhora, aos Anjos e aos Santos. No entanto, elas têm seu fim último igualmente em Deus. 
Como disse São Luis de Montfort a respeito da consagração mariana: "Quanto mais uma alma for consagrada a Maria, tanto mais será a Jesus Cristo". (Tratado da Verdadeira Devoção a Maria, 120)
Coisa semelhante se pode dizer a respeito da consagração ao Anjo da Guarda. Quanto mais uma pessoa for consagrada ao seu Anjo, tanto mais este poderá ajudá-la a amar e a servir a Deus e ao próximo e, desta forma, ela será mais plenamente consagrada a Deus.  [www.arcanjomiguel.net] 

 2. Qual é o conteúdo da consagração ao Santo Anjo da Guarda?

"A vós Deus me confiou desde o início da minha vida".

O anjo da Guarda é um dom especial do amor de Deus. Se nos fosse dado escolher entre todos os Santos Anjos um protetor e auxiliar especial, não poderíamos encontrar um melhor do que aquele que Deus, na sua Sabedoria e amor infinitos, já escolhera para nós. Só Deus conhece o mistério da nossa vida. Só Ele, nosso Criador e Redentor, conhece todos os nossos pontos fortes e fracos, a nossa vocação e as nossas provações, a nossa cruz e a glória a nós destinada. Prevendo tudo isso, Ele escolheu, desde toda a eternidade, um dos Anjos para ser o nosso Anjo da Guarda: ele para mim e eu para ele. O Senhor nos diz:

"Vou enviar um Anjo diante de ti, para que te guarde pelo caminho e te conduza ao lugar que eu preparei" (Ex 23, 20; leitura da festa dos Santos Anjos da Guarda).

"Entrego-me a vós"

A consagração ao Anjo da Guarda constitui uma ligação forte àquele a quem Deus nos confiou desde o início da nossa vida. Como Cristo nos entregou à Sua Mãe, quando suspenso na Cruz, disse: "eis o teu filho", assim Deus nos confiou à proteção de um Anjo particular, como que dizendo: "eis o teu irmão".

No entanto, a palavra "eis o teu irmão" vale também para nós. Pois o próprio Deus colocou ao nosso lado um Anjo para ser nosso irmão celeste. Por isso lhe devemos muito respeito, por ser ele um espelho claro da vontade de Deus.  [www.arcanjomiguel.net] 

Falando-nos na nossa consciência em nome de Deus ele merece toda a nossa atenção, toda a nossa obediência. Por isso:

"Vos prometo o meu amor e a minha felicidade"

Quanto devemos ao Anjo da Guarda!
Quem poderá lhe pagar o salário devido?
Um amor tão fiel só pode ser correspondido com fidelidade, amor e confiança. Por isso nos entregamos a ele com muito gosto e lhe prometemos o nosso amor e fidelidade. Se nós somos fracos, ele, que "contempla sem cessar a face do Pai que está nos Céus" (Mt 18, 10), está firme e imutavelmente ancorado em Deus. Ele quer nos proporcionar esta firmeza, ajudando-nos, mediante a luz da graça de que é dotado, a acreditar ainda mais firmemente em Deus, a confiar ainda mais fortemente no Seu auxílio e a amar ainda mais desinteressadamente Deus e o próximo. Com a sua ajuda seremos capazes de manter sempre a fidelidade a Deus.

3. Quais são os frutos da consagração ao Anjo da Guarda?

* A proteção contra o egoísmo e o maligno:

"protegei-me contra a minha fraqueza e contra os ataques dos espíritos".

O Anjo da Guarda é o auxílio seguro contra os espíritos malignos que nos tentam e afligem, pois já no início do tempo o nosso Anjo da Guarda, guiado pelo Arcanjo São Miguel, participou da vitória contra os espíritos malignos. Sendo espírito, pode facilmente reconhecer o tentador e afugentá-lo em virtude da graça. Se, no entanto, Deus permitir o inimigo peneirar-nos como Jó (Jó 1, 12; 2,6), como Pedro (Lc 22, 31) ou como Paulo (2 Cor 12, 7-8) nunca nos faltará a assistência reconfortante do Santo Anjo da Guarda.

* Iluminação e fortificação:

"iluminai a minha mente e o meu coração, para que eu sempre reconheça e cumpra a vontade de Deus"

O Anjo da Guarda é, para nós, a porta para o mundo dos Anjos e, de certo modo, o porteiro do Céu. Sendo ele enviado por Deus a nós, aplica-se em primeiro lugar a ele a palavra do Catecismo: "Os Anjos cooperam para todas as nossas boas obras" (CIC 350; cf. Suma Teológica I, q. 114, a. 3, ad 3). Ele é o nosso melhor e mais fiel amigo, aquele que, além de Jesus e Maria, nos acompanha e protege ininterruptamente durante toda a nossa vida.

Toda a sua solicitude e intercessão são dirigidas primeiramente ao seu protegido, o qual é o "talento" que lhe foi confiado e que ele tanto deseja devolver ao Senhor, com "lucro" cêntuplo, no fim da vida. Deste modo, ele cuida incansavelmente, dia e noite, do nosso bem e da nossa salvação eterna. Infatigavelmente se esforça pela nossa purificação, iluminação e perfeição. Destas três atividades hierárquicas dos Anjos, São Boaventura escreve: "A purificação produz a paz, a iluminação conduz à verdade e a perfeição realiza a caridade...", para que por meio dela tenhamos a devida força para o cumprimento da vontade de Deus.
"...Estes três atos, frequentemente praticados, dão a felicidade à alma e, quanto melhor praticados, mais aumentam os seus méritos" (Os três caminhos do amor, prólogo 1).

 * A união com Deus Uno e Trino:

"E conduzi-me à união com Deus Pai, Filho e Espírito Santo".

A felicidade de Deus consiste na perfeita comunhão de amor de que as Pessoas Divinas gozam. O Deus uno e trino quer nos fazer participar desta Sua comunhão: "Que todos sejam um como Nós" (Jo 17, 19). É o Seu eterno plano de amor de unir a Si todas as criaturas unindo-as, ao mesmo tempo, entre si. ("reunir tudo o que há no céu e na terra em Cristo" - Ef 1, 10).
Consagrando-nos ao Anjo da Guarda, ele terá uma maior influência em nossa vida e, assim, poderá nos conduzir a uma comunhão cada vez mais íntima com Deus. Ao mesmo tempo, experimentaremos uma profunda união com o nosso protetor, como diz o Catecismo:
"Ainda aqui na terra, a vida cristã participa na fé da sociedade bem-aventurada dos Anjos e homens, unidos em Deus" (CIC 336).  [www.arcanjomiguel.net] 
Esta união entre Anjo e homem que começa nesta vida será consumada na vida eterna.

Por toda a eternidade estaremos unidos em íntima amizade ao Anjo da Guarda e reinaremos com ele no Reino de Deus. Deste modo, podemos compreender as palavras de São Tomás de Aquino:

"A todo homem, enquanto peregrino, é dado um Anjo da Guarda. Quando, porém, já tiver chegado à meta do caminho, não terá mais um Anjo da Guarda; no entanto, terá no Reino o Anjo reinando com ele" (Suma Teológica I, q. 113, a. 4c)

4. Como fazer a consagração ao Santo Anjo da Guarda?

# De modo Privado

Assim como existem os votos privados, isto é, uma pessoa pode, sozinha ou diante do seu confessor, prometer a Deus a castidade, obediência e pobreza, assim também se pode fazer esta oração de consagração em particular. 
Recomenda-se fazer antes uma preparação, por exemplo, em forma de uma novena.

CONSAGRAÇÃO AO SANTO ANJO DA GUARDA

Vós, meu bom Anjo da Guarda, que vedes continuamente a face do nosso Pai que está nos céus (cf. Mt 18,10), a vós Deus me confiou desde o início da minha vida.
Agradeço-vos de todo meu coração por vossos amorosos cuidados. Entrego-me a vós e vos prometo o meu amor e a minha fidelidade.
Peço-vos: protegei-me contra a minha fraqueza e contra os ataques dos espíritos malignos; iluminai a minha mente e o meu coração, para que eu sempre reconheça e cumpra a vontade de Deus, e conduzi-me à união com Deus Pai, Filho e Espírito Santo.
Amém. 
(texto aprovado pela Igreja)

# De modo Oficial, perante a Igreja

Existe uma forma ainda mais forte e comprometedora de fazê-la. Assim como os votos feitos dentro de uma comunidade religiosa têm um alcance diferente dos privados, também existe na Igreja uma Obra que tem por finalidade conduzir os fiéis a uma união mais íntima com os Santos Anjos justamente através da consagração ao Anjo da Guarda. 


A Igreja aprovou tal ato de consagração no dia 31 de maio do ano 2000, por isso a Obra pode, através deste ato, admitir as pessoas na Confraria dos Santos Anjos da Guarda.

Nela, a vivência de tal Aliança receberá um efeito maior, como quando um soldado, em vez de lutar sozinho contra o inimigo, está ligado a um exército. Na Confraria os membros serão formados espiritualmente, a fim de que, colaborando melhor com os Santos Anjos, cresçam mais seguramente na vida espiritual.

Fonte: O Nosso Anjo da Guarda, Uma pequena Introdução à Devoção aos Santos Anjos (com imprimatur), da Confraria dos Santos Anjos (OA)  [www.arcanjomiguel.net]  ARCANJOMIGUEL.NET

SANTO ANJO DO SENHOR
MEU ZELOSO GUARDADOR,
SE A TI ME CONFIOU A PIEDADE DIVINA,
SEMPRE ME REGE, GUARDA, GOVERNA E ILUMINA.
AMÉM.
CONSAGRAÇÃO AO ANJO DA GUARDA.  ARCANJOMIGUEL.NET